O Brasil nas mídias sociais

Nas vilas do Pará , nas profundezas da floresta amazônica, a água tratada é um luxo e estradas pavimentadas são poucas e muito distantes entre si. O Facebook, no entanto, é uma realidade muito perto. Um dado expressivo dessa realidade surge com o fato de que no início do ano ficou demonstrado o quanto as redes sociais tornaram-se o canal escolhido até mesmo para que grupos indígenas que lutam contra a construção da usina hidrelétrica ao longo do rio Xingu desabafassem suas frustrações. Ou seja, como a mídia social é um instrumento essencial para todos os grupos sociais. O “Xingu Vivo” – página no Facebook, registrou suas queixas contra o projeto, mantendo os ativistas da luta a par dos acontecimentos, bem como das suas posições.

Hoje, em tempos de ilusão de que não há censura no país, a mídia social é uma instituição excepcionalmente democrática no Brasil. Enquanto o país ainda preserva uma notória, expressiva e profunda divisão entre ricos e pobres, os telefones móveis conseguem dar às comunidades urbanas carentes e até mesmo nas remotas áreas rurais o acesso a sites de redes sociais. Além disso, o potencial de crescimento desse setor continua forte, tendo em vista haver apenas 23% desse público utilizando smartphones e as quatro maiores operadoras do país lançaram o mais moderno serviço de 4G apenas no início do verão do ano passado (2012), ou seja, perto de dezembro.

O Brasil já conta com mais de 65 milhões de usuários do Facebook, perdendo apenas para os EUA, sendo também vice-líder no consumo do Twitter (com 41,2 milhões de tweeters) e o maior mercado fora os EUA do YouTube.  Assim, no país mais populoso da “América do Sul”, o Brasil, também emergem as mídias sociais. Setenta e nove por cento dos usuários de Internet no Brasil (cerca de 78 milhões de pessoas) estão agora em mídias sociais, de acordo com um relatório de analistas eMarketer, com as taxas de adesão se aproximando rapidamente as dos EUA.

Ao que tudo indica, o Brasil está apenas ajustando suas passadas. O tempo médio gasto no Facebook entre os brasileiros aumentou 208 por cento no ano passado, indo para 535 minutos por mês. Em comparação, o uso global diminuiu 2 por cento durante o mesmo período no mundo. Dessa forma, com a saturação de mídia social nos EUA e na Europa e com os chineses restritos por seu grande Firewall (sem acesso legal ao Twitter e Facebook), com Índia ainda relativamente em estágios iniciais da revolução da Internet, o Brasil, entre os BRICS, aparece como a capital de “social media”.

O governo, através dos recentes planos, tem liderado um esforço progressivo para ampliar o acesso à Internet em todo o país, resultado este expressado pelos quase 100 milhões de brasileiros com acesso a internet. Nesta toada, estima-se que até 80 por cento da população terá acesso à Internet em 2016. Curiosamente, a maior parte do tempo on-line do brasileiro (36%) é gasto em mídias sociais.

A publicidade digital, no entanto, permanece em sua infância no Brasil, sendo apenas 10% do mercado de publicidade, enquanto no resto do mundo abrange 20%. As grandes marcas já se atentaram a esse fato e têm lançado campanhas agressivas no Facebook para capitalizar sobre a influência das mídias sociais, acumulando alguns milhões de seguidores poucos meses. Isso reforça a previsão de que o país deverá aumentar os gastos com anúncios em mídias sociais em US $ 5,6 bilhões no próximos três anos, mais do que a Índia , a Rússia ou a Indonésia por exemplo.

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.mc.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-banda-larga-pnbl/municipios-atendidos

 

Somália: qual o futuro do al-Shabab?

No dia 21 de setembro de 2013, homens armados invadiram e tomaram o complexo comercial de Westgate, localizado na capital queniana, Nairóbi[1], e amplamente frequentado por ocidentais. O ataque foi rapidamente assumido pelo grupo islâmico radical somali al-Shabab (cujo significado aproxima-se de “A Juventude”), e a sofisticação do feito teria chamado a atenção de especialistas[2]. Além de terem amplo conhecimento das estruturas físicas do shopping, os militantes utilizaram redes sociais para transmitir seus objetivos, narrar a ação dentro do complexo e para deixar claro que seus alvos seriam apenas os não muçulmanos. Esta não é a primeira vez que os conflitos na Somália possuem repercussões trágicas para os países africanos cujas tropas se encontram em solo somali*. No entanto, esta nova ação é estrategicamente significativa pois reflete alterações recentes nas dinâmicas internas da Somália, do Shabab e da própria região do chamado “Chifre da África” – nordeste do continente.

Em 1991, a derrubada do ditador Siad Barre mergulhou a Somália no caos e na anarquia. Ao longo da década seguinte, suas instituições políticas e sua economia foram paulatinamente implodidas, com clãs e chefes de guerra rivais disputando o controle da capital Mogadíscio, conflito reproduzido por praticamente todas as regiões do país**. A instabilidade e a falta de governança levaram à pobreza e a uma grave crise de alimentos no país, com boa parte de sua agricultura sendo destruída. Milhares de somalis abandonaram suas casas, tornando-se deslocados internos ou refugiados em países como Quênia e Iêmen [3]. Aproveitando-se da situação caótica, grupos radicais se estabeleceram e se fortaleceram na Somália, país de população majoritariamente muçulmana sunita.

Nesse contexto, surgiu o grupo extremista “salafista” denominado “Unidade do Islã” (AIAI), formado por jovens somalis educados no “Oriente Médio”, cujo objetivo era o estabelecimento de um emirado islâmico no país. A AIAI é apontada por analistas como sendo a precursora do atual Shabab, já que muitos de seus líderes fizeram parte da organização. É importante ressaltar, entretanto, a agenda prioritariamente nacional do grupo, embora existissem laços econômicos com a al-Qaeda e muitos de seus membros tenham combatido no Afeganistão no início dos anos 2000[4].

Em 2003, lideranças da AIAI optaram pela formação de uma ala política, gerando o rompimento com a ala mais jovem e radical. O grupo dissidente aliou-se, então, à chamada “União de Cortes Islâmicas” (UCI), com a qual compartilhava a visão de um Estado islâmico somali, desempenhando o papel de braço armado da UCI na luta pela conquista do país.

Paralelamente, no ano de 2004, formou-se no exílio o “Governo Federal de Transição” (GFT) somali, composto por líderes dos principais clãs do país e apoiado pela “Organização das Nações Unidas” (ONU), pelos “Estados Unidos” e por países africanos como o Quênia e a Etiópia. Entre seus principais objetivos estavam a elaboração de uma nova Constituição e a realização de eleições nacionais, regionais e locais. O GFT funcionaria a partir de Nairóbi, já que a questão securitária e os avanços da UCI impediam seu estabelecimento em território Somali. Em junho de 2006, após mais de três anos de conflitos, o grupo islâmico venceu a coalizão apoiada pelo GFT e seus parceiros, formada basicamente por senhores de guerra e milícias, estabelecendo um governo muçulmano com significativo apoio popular[5].

O governo da Etiópia, no entanto, interpretou a vitória da UCI como uma ameaça à sua segurança e a seus interesses. As autoridades de Addis Abeba enviaram suas forças armadas para intervir na Somália, apoiadas em termos de logística e materiais pelos “Estados Unidos”. No mês de dezembro de 2006, suas tropas tomaram Mogadíscio sem enfrentar grande resistência, permitindo o estabelecimento do Governo Federal de Transição somali na capital do país. Em janeiro seguinte, o “Conselho de Paz e Segurança da União Africana” autorizou a formação da “Missão da União Africana para a Somália” (AMISOM), inicialmente formada por tropas de Uganda, Burundi, “Serra Leoa” e Djibuti, com a missão de apoiar o GFT e contribuir para a pacificação do país[6].

Analistas indicam que a intervenção estrangeira foi crucial para a galvanização do Shabab em um grupo autônomo e a sua passagem de uma organização formada por algumas centenas de combatentes para um grupo organizado e bem financiado, com milhares de insurgentes[7]. A percepção da população de que o exército etíope e a própria AMISOM seriam forças invasoras e de que o GFT seria corrupto e protetor de interesses estrangeiros garantiu apoio inicial ao Shabab.

O grupo aproveitou para aliar-se a líderes de clãs em diversas regiões da Somália, estabelecendo ao longo dos anos seguintes seu controle sobre boa parte do sul e do centro do país e impondo sua interpretação radical da sharia***. Em 2009, após a retirada do exército etíope, o Shabab retornou a Mogadíscio, deixando a cidade dividida por uma linha de batalha entre as áreas controladas pelos insurgentes e as sob domínio da AMISOM, com o GFT sendo capaz de estabelecer sua autoridade apenas sobre alguns bairros da cidade.

A partir de 2006, o Shabab estabeleceu redes de financiamento que passaram a lhe render milhões de dólares ao ano. Cobrança de impostos de pequenos comércios nas áreas sob seu controle, taxações sobre as atividades portuárias em Kismayo e Mogadíscio, exportação de carvão[8], importação de açúcar posteriormente contrabandeado e vendido no Quênia, sequestros e pedidos de resgate e pirataria seriam algumas das atividades levadas a cabo pelo grupo. Além do mais, o controle dos insurgentes sobre a atividade portuária permitiria o recebimento de armamentos e suprimentos fornecidos por apoiadores estrangeiros. Países como Síria, “Arábia Saudita”, Eritréia, Qatar, Irã e Iêmen já foram apontados como possíveis apoiadores[9].

Apesar de sua significativa rede de financiamento, o Shabab retirou-se de Mogadíscio em agosto de 2011 após o endurecimento dos combates com a AMISOM. Em outubro do mesmo ano, tropas do Quênia invadiram o sul da Somália em perseguição aos insurgentes radicais, que haviam realizado sequestros de turistas ocidentais na fronteira entre os dois países. Planejada havia tempos[10], a ação colocou pressão sobre o Shabab, com a Etiópia também enviando seu exército para o território vizinho. Fortalecida, especialmente após incorporar as forças quenianas em território somali, a AMISOM iniciou uma ofensiva conjunta com o “Exército somali”, formado por milícias aliadas ao “Governo Federal de Transição”. O Shabab foi expulso de diversas cidades importantes, culminando na retomada de Kismayo, principal fonte de financiamento dos radicais, em outubro de 2012[11].

A melhora na situação securitária do país permitiu, ainda em 2012, a elaboração de uma Constituição transitória, a formação de um novo Parlamento e a eleição do presidente Hassan Cheikh Mohamoud, que indicou Abdi Farah Shirdon como primeiro-ministro responsável por constituir o primeiro governo de fato do país desde o início da década de 1990. Assim, nos últimos anos, a Somália obteve avanços significativos rumo à sua estabilização. Mogadíscio está em reconstrução, e o novo governo busca agora consolidar as conquistas obtidas. Porém, os desafios ainda são grandes, requerendo a recuperação econômica****, o estabelecimento de sua autoridade pela totalidade do país*****, a entrega de serviços básicos para toda a população, a formação de uma justiça e de forças policiais e militares sólidas e o estabelecimento de um diálogo de reconciliação que conduza à unidade nacional[12]. O novo governo tem como metas a formulação de uma Constituição definitiva e a realização de eleições nacionais até o ano de 2016.

Todavia, o Shabab permanece como uma ameaça significativa. Evitando combates diretos com as tropas da AMISOM e as forças somalis, o grupo conseguiu manter intactas sua capacidade operacional, cadeia de comando e disciplina. Retirar-se de cidades como Mogadíscio e Kismayo teria sido uma escolha estratégica do grupo que, apesar de ter sofrido cortes expressivos em suas redes de financiamento, possuiria armamentos estocados no sul e no centro da Somália, em grande medida ainda sob seu controle. O Shabab teria passado de uma força semelhante a um exército, capaz de controlar extensas porções de território, para uma rede descentralizada e clandestina[13], voltada para a realização de ataques como ao complexo de Westgate ou à sede do “Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento” (PNUD) em Mogadíscio, no mês de junho de 2013[14].

Mais significativa ainda é a aparente mudança no foco do Shabab. Nos últimos meses, conflitos teriam ocorrido dentro do grupo, opondo uma ala nacionalista, defensora de uma atuação voltada para objetivos dentro da Somália, e outra ala dotada de uma agenda internacional jihadistas[15]. As divergências teriam se iniciado com o anúncio de laços com a al-Qaeda, em fevereiro de 2012, e culminaram na vitória dos radicais jihadistas. Aliados de seu líder, Ahmed Abdi Godane, teriam matado um dos cofundadores do grupo, Ibrahim al-Afghani, e forçado outras lideranças dissidentes a fugir[16]. Nesse sentido, os laços internacionais do grupo se expandem. Antes formado em grande medida por somalis, o Shabab possui há alguns anos uma rede de recrutamento de jovens muçulmanos no Quênia, aproveitando-se das altas taxas de desemprego e pobreza entre os jovens, do recrudescimento do sectarismo no país vizinho e da corrupção em seu governo[17]. Membros da “diáspora somali”, vivendo em países como os Estados Unidos, já foram recrutados pelo grupo para a participação em atentados. Da mesma forma, indícios apontam para a existência de laços entre o Shabab e organizações como o “Boko Haram” e “al-Qaeda no Magreb Islâmico[18].

Caso o novo governo somali seja bem sucedido frente aos grandes desafios que lhe são impostos, é possível que o Shabab se distancie cada vez mais de objetivos na Somália e se comprometa ainda mais com o jihad internacional. Logo, os diálogos de unidade nacional são de grande importância, já que podem gerar o rompimento definitivo entre os líderes de clãs somalis, em certa medida percebidos como legítimos pela população e, portanto, com um papel a desempenhar na reconstrução do país, e a vertente internacionalista no grupo.

De acordo com analistas, essa separação poderia até mesmo tornar a Somália um ambiente inóspito para o grupo de Ahmed Godane, forçando-o a se estabelecer alhures na região[19], em países com maior potencial para recrutamento de novos insurgentes. Nesse sentido, o recente ataque em Nairóbi é emblemático, demonstrando a capacidade do grupo em atingir a maior cidade da “África do Leste” e a presença crescente no Shabab no Quênia. Entretanto, a exigência feita pelos radicais de que o governo queniano retire imediatamente suas tropas da Somália indicam que raízes expressivas em seu país de origem ainda estão longe de ser desfeitas.

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Notas:

* Em 11 de julho de 2010, ataques realizados pelo Shabab em Kampala, Uganda, teriam deixado dezenas de mortos e feridos.

** Pouco após a derrocada da ditadura, a região da Somalilândia, norte da Somália, declarou sua independência. Os confrontos que se seguiram deixaram milhares de mortos. Entretanto, enquanto a Somália como um todo enfrentou duas décadas de instabilidade e anarquia, a Somalilândia foi bem sucedida em estabelecer instituições políticas e econômicas próprias, mantendo-se estável e funcionando como um Estado dentro de um Estado, dada a ausência de reconhecimento internacional.

*** Essa imposição, determinando punições como a amputação de mãos pela realização de furtos, não fazia parte da sociedade somali anteriormente, rendendo a perda relativa de apoio do grupo. Outro fator de perda de apoio foi a manutenção da cobrança de impostos em áreas sob seu controle durante a crise de fome iniciada em 2010.

**** No ano de 2013, duas conferências internacionais foram realizadas pelo governo somali, com o apoio do “Reino Unido” e da “União Europeia”, para a arrecadação de recursos para a reconstrução da Somália.

***** No mês de maio de 2013, clãs rivais passaram a disputar o controle da região sul da Somália, economicamente importante e autoproclamada como semiautônoma. As autoridades federais somalis declararam a ação inconstitucional, e as tensões acabaram por levar a conflitos na área sob o controle da AMISOM. O ocorrido indica as dificuldades rumo à unidade nacional.

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Fonte imagem:

http://www.reuters.com/news/pictures/searchpopup?picId=11647317

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/alvo-eram-quenianos-infieis-diz-milicia-ligada-a-al-qaeda-5483.html  

[2] Ver:

http://www.project-syndicate.org/commentary/the-high-stakes-of-kenya-s-fight-against-al-shabaab-by-michael-meyer

[3] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=43329&Cr=Somali&Cr1=#.UkL3QtLIGAi

[4] Ver:

http://www.cfr.org/somalia/al-shabab/p18650?goback=%2Egde_160896_member_276043115#%21

[5] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/68315/bronwyn-bruton-and-j-peter-pham/how-to-end-the-stalemate-in-somalia

[6] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=43402&Cr=Somalia&Cr1=#.UkRCf9LIGAh

[7] Ver:

http://www.cfr.org/somalia/al-shabab/p18650?goback=%2Egde_160896_member_276043115#%21

[8] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/09/1346102-saiba-mais-al-shabaab-grupo-militante-que-reivindicou-ataque-no-quenia.shtml

[9] Ver:

http://www.cfr.org/somalia/al-shabab/p18650?goback=%2Egde_160896_member_276043115#%21

[10] Ver:

http://blogs.cfr.org/zenko/2011/10/27/somalia-kenyas-invasion-and-objectives/

[11] Ver:

http://www.rfi.fr/afrique/20120929-somalie-shebabs-retirent-kismayo-leur-dernier-bastion-kenya

[12] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=43311&Cr=somalia&Cr1=#.UkQ6d9LIGAj

[13] Ver:

http://www.rfi.fr/afrique/20130620-attentats-somalie-onu-mogadiscio-shebab

[14] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/07/22/is_the_us_ramping_up_a_secret_war_in_somalia_al_shabab?page=0,0

[15] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/137068/bronwyn-bruton-and-j-peter-pham/the-splintering-of-al-shabaab

[16] Ver:

http://www.rfi.fr/afrique/20130701-somalie-guerre-interne-sein-mouvement-shebab-ahmed-abdi-godane

[17] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/138751/alexander-meleagrou-hitchens/jihad-comes-to-kenya

[18] Ver:

http://www.hurriyetdailynews.com/Default.aspx?pageID=238&nid=24095

[19] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/137068/bronwyn-bruton-and-j-peter-pham/the-splintering-of-al-shabaab