Empresas mais interessadas em doutores

Quando se pensa em doutorado, é a carreira acadêmica que vem logo à mente. Porém, cada vez mais as empresas passam a valorizar — e a contratar — profissionais com título de PhD. O que é reflexo, também, do aumento no número de doutores formados, que cresce de 8% a 10% ao ano, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Continuar a lerEmpresas mais interessadas em doutores

“Banco Interamericano de Desenvolvimento” aprova empréstimo para o mercado de trabalho do México

Escrito Por Katiuscia Moreno Galhera Espósito

O “Banco Interamericano de Desenvolvimento” (BID) emprestará ao México aproximadamente 300 milhões de dólares, que deverão ser direcionados à criação de empregos e renda no território. Esse empréstimo faz parte de um projeto amplo do BID, chamado de “Programa Multifase de Apoyo a la Capacitación y el Empleo” (PACE)*. Continuar a ler“Banco Interamericano de Desenvolvimento” aprova empréstimo para o mercado de trabalho do México

Curso – Tráfico Internacional de Seres Humanos

Datas: 06, 08, 10 de Agosto – 19:20 as 22:50

VALOR DA INSCRIÇÃO: R$ 50,00 (não reembolsável)

VALOR DO CURSO: R$ 200,00 (em 2X ou 10% de desconto a vista). DESCONTO ESPECIAL PARA GRUPOS DE NO MÍNIMO 5 PESSOAS.

DESCONTO DE 20% PARA INSCRIÇÕES EFETIVADAS ATÉ 30 DE JUNHO.

FICHA DE INSCRIÇÃO: http://bit.ly/Kxsd8v

PARA INFORMAÇÕES ENVIE UM E-MAIL PARA IMPRENSA@CEIRI.COM.BR

Propõe-se, neste curso, dar um panorama geral sobre o tráfico internacional de humanos, analisando as causas que levam à imigração e ao tráfico de pessoas, principalmente mulheres, e suas conseqüências, tendo em vista a compreensão da dimensão e complexidade desta temática.

Serão apresentados os conceitos, legislação nacional e internacional e os principais elementos do crime organizado neste “universo”.

O curso será realizado desde uma perspectiva de gênero, na medida em que as mulheres, crianças e adolescentes do sexo feminino constituem as vítimas preferenciais desse “mercado” que, segundo dados do Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC), movimenta entre US$ 7 bilhões e US$ 9 bilhões por ano.

Nossa realidade mostra que mesmo essa prática sendo tão degradante, pessoas são comercializadas em todo o mundo, alimentando redes criminosas, possibilitando que o tráfico de pessoas seja considerado hoje, conforme dados da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), um negócio tão lucrativo que pode ter superado o tráfico de armas ou drogas, isso se deve pelo fato de que as pessoas podem ser vendidas e revendidas.

PÚBLICO-ALVO: Profissionais que atuam em ONGs; Organismos Internacionais; Fóruns Internacionais e instituições de relações exteriores; Comitês de Bioética; conselhos de saúde; departamentos de polícia; Políticos, juristas, profissionais da saúde, internacionalistas, sociólogos, assistentes sociais, cientistas políticos;

Professora: Daniela Alves é Analista de Relações Internacionais. Atualmente é Diretora do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e também atua como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED). Na BRICS-PED também atua como CEO da Câmara Bilateral Brasil-Rússia.

Em 2011 foi vencedora (Primeiro Lugar) do Prêmio Libertas 2011 (promovido pelo Ministério da Justiça em parceria com o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime -UNODC-) com o trabalho: O Tráfico de Pessoas para Remoção de Órgãos: De Palermo a Istambul.

Em 2010 foi convidada pelo Ministério Público de Goiás a palestrar no Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Estado de Goiás (NEPT-GO) sobre “Tráfico de Pessoas para fins de remoção de órgãos” em COLOQUIO sobre TRAFICO DE PESSOAS NO ESTADO DE GOIÁS, participando também da mesa de debates com o representante do Ministério da Justiça, Eduardo Nepomuceno, e o representante do Ministério da Saúde, Cid Roberto Bertozzo Pimentel.

Entre 2008 e início de 2009 trabalhou junto à Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo (SMTrab-SP), sendo responsável pela elaboração de relatórios sobre o andamento dos projetos com financiamento internacional e a interlocução entre a SMTrab e as Organizações Internacionais.

Foi conferencista no “Primer Congreso Latinoamericano Sobre Trata y Trafico de Personas” , com a ponencia titulada “Desafios de la Comunidad Latinoamericana en el Combate a la Trata de Seres Humanos: Integrando Capacidades”, realizado na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires (2008).

Em 2008, ministrou aula sobre “O Combate ao Tráfico de Seres Humanos: As ações do BID e do UNDOC” no curso do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (NUPRI-USP) sobre “A Cooperação Internacional para o Desenvolvimento: Gestão do Ciclo do Projeto”. Neste mesmo período ministrou capacitações e apresentou diversos seminários sobre Tráfico de Seres Humanos, além de ter criado um blog (http://blogdanielaalves.wordpress.com/) com a finalidade de ser um ponto de encontro, reflexão e informação entre aqueles que trabalham na prevenção e no combate ao Tráfico de Seres Humanos.

Em 2007 trabalhou junto à Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de São Paulo, realizando busca de convocatórias e formulação de projetos para diversos financiadores nacionais e internacionais, como: AECI, JICA, GTZ (atual GIZ), CIDA, BID, FUMIN entre outras agências de fomento ao desenvolvimento e cooperação. Ademais, foi responsável pela elaboração dos Relatórios de Acompanhamento e Avaliação dos Convênios Internacionais com a FAO e AECID.

Como professora visitante (2007) na Faculdade da Serra Gaúcha (Caxias do Sul – Rio Grande do Sul) ministrou aula sobre o Tráfico Internacional de Seres Humanos, no curso de especialização em Segurança Pública (Lato Sensu).

Ministrou palestras e capacitações em várias cidades do Brasil.

Em 2007 foi uma das ganhadoras do Prêmio Experiências comparativas em boas práticas, políticas públicas e desenvolvimento econômico local da Rede Internacional de Desenvolvimento Econômico Local e Comunitário.

Curso – Tráfico Internacional de Órgãos

DATAS: 13, 15 E 17 DE AGOSTO – HORÁRIO: 19:20 – 22:50

VALOR DA INSCRIÇÃO: R$ 100,00

VALOR DO CURSO: R$ 500,00 (em 2X ou 10% de desconto a vista). DESCONTO ESPECIAL PARA GRUPOS DE NO MÍNIMO 5 PESSOAS.

DESCONTO DE 40% PARA INSCRIÇÕES EFETIVADAS ATÉ 30 DE JUNHO.

FICHA DE INSCRIÇÃO: http://bit.ly/LOZVIC

PARA INFORMAÇÕES ENVIE UM E-MAIL PARA IMPRENSA@CEIRI.COM.BR

LINK DO CURSO NO FACEBOOK: http://www.facebook.com/events/404522049591090/

Considerado um dos milagres da medicina do século XX, o transplante prolongou e melhorou as vidas de milhões de doentes em todo o mundo, sendo considerado o melhor tratamento e, em muitos casos, o único restante para o terminal e irreversível problema de muitos órgãos vitais.

O desenvolvimento tecnológico, as inovações científicas, a ampla disseminação de novos equipamentos, drogas, procedimentos cirúrgicos que objetivam prolongar a vida humana e a escassez de doadores também se tornaram facilitadores de mais um comércio ilícito em escala global: o Tráfico de Órgãos.

Objetiva-se neste curso apresentar o panorama nacional e internacional sobre “Tráfico Internacional de Órgãos”, analisando seus “encontros e desencontros”, desvendando o que é lenda e o que é realidade, conceitos e fatos. Ademais, visa apresentar as rotas e os “pontos quentes” atualmente conhecidos, os métodos operacionais e as dificuldades legais e desafios éticos no combate a este crime sob a perspectiva das Relações Internacionais.

O curso será ministrado ao vivo pela internet. Os alunos poderão interagir com a professora e os demais alunos como se fosse uma aula presencial.

PÚBLICO-ALVO: Profissionais que atuam em ONGs; Organismos Internacionais; Fóruns Internacionais e instituições de relações exteriores; Comitês de Bioética; conselhos de saúde; departamentos de polícia; Politicos, juristas, profissionais da saúde, internacionalistas, sociólogos, assistentes sociais, cientistas políticos;

CEIRI no Google Currents

Prezados(as) Leitores(as),

O CEIRI, sempre antenado no que há de mais moderno, acaba de ingressar no Aplicativo Google Currents, chamado no Brasil de Google Atualidades. Para quem ainda não conhece, esse é um serviço para tables, celulares e ipads que formata de maneira especial as notícias e artigos publicados por jornais, revistas e sites na internet, apresentando-os de forma leve e rápida ao leitor.

Os leitores que assinarem o CEIRI no google Currents (procure CEIRI no google currents e encontrará o perfil CEIRI NEWSPAPER), poderão acompanhar de forma limpa, rápida e amigável, as notas e análises do CEIRI NEWSPAPER, BLOGCEIRI, o Canal do CEIRI no Youtube, nossos cursos e ainda poderão acessar ofertas exclusivas para cada curso lançado.

É muito fácil começar a usar o Google Currents. Antes de tudo, você precisa ter um dispositivo equipado com Android ou iOS, como o iPhoneiPad ou Galaxy Tab. Depois, basta procurar pela aplicação na App Store ou no Google Play e, em seguida, instalá-la como se fosse outro app qualquer.

Não esqueça de curtir a Página do CEIRI no Facebook http://www.facebook.com/pages/Centro-de-Estrat%C3%A9gia-Intelig%C3%AAncia-e-Rela%C3%A7%C3%B5es-Internacionais-CEIRI/137916292909454

Twitter do CEIRI: https://twitter.com/blogceiri

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Pacote turístico em assentamento israelense oferece treino para ‘matar terrorista’

Um campo de treinamento de tiro ao alvo localizado em um assentamento israelense tem provocado polêmica ao oferecer aos visitantes um pacote de “turismo radical” que inclui treinamento para “matar terroristas”.

O campo Caliber 3, no assentamento de Gush Etzion, no território palestino da Cisjordânia, usa como alvo de tiros figuras em tamanho real portando tradicionais turbantes árabes.

O local, com mais de 10 mil metros quadrados, é usado em treinamentos do Exército e da polícia de Israel. O proprietário, o empresário Sharon Gat, contou à BBC Brasil que resolveu aproveitar as instalações já existentes para dar início ao “projeto turístico”. Continuar a lerPacote turístico em assentamento israelense oferece treino para ‘matar terrorista’

ENTREVISTA: A QUESTÃO DA CORRUPÇÃO

ENTREVISTA COM DR. MARCELO SUANO SOBRE CORRUPÇÃO

(1)  Como pode ser interpretada a afirmação da Secretária de Estado dos EUA, Hilary Clinton, sobre estarmos caminhando bem acerca do combate à corrupção?

RESPOSTA: Há muitas questões que precisam ser tratadas. O melhor é dizer que estamos começando e há muito a caminhar, isto se não houver um retrocesso em breve e um trabalho gigantesco para tornar inócuas as Leis voltadas para a transparência. Inicialmente, HilLary fez o que se espera de uma responsável pela política externa e diplomacia de um país que busca aprofundar as aproximações e parcerias. Foi cortês, elogiosa e deu seguimento a uma proposta que teve origem com iniciativa dos dois governos, a qual, além disso, é essencial para a promoção da Democracia (vista da perspectiva ocidental), sendo ainda um ponto importante na política externa dos EUA, já que a promoção da Democracia está nos seus discursos e, onde houver regimes democráticos, maiores são as proximidades com os Estados Unidos. No discurso proferido pela Secretária norte-americana fica, contudo, transparente a crença em valores que são sagrados e claros para os estadunidenses, mas ainda não são completamente entendidos pelos brasileiros. Um deles é o papel da sociedade civil no combate à corrupção e no trabalho pela transparência. Lá, a Sociedade é efetiva neste aspecto. Ela se organiza, se associa, trabalha para tanto, reivindica, pressiona partidos, pressiona o governo, arrecada recursos, faz e forma candidatos políticos, cobra-os, destitui-os. Em síntese, lá, a Sociedade tem a Lei para permitir e, mais importante, para promover que a sociedade civil se organize e participe da governança, da fiscalização, bem como tenha condições de buscar meios materiais e financeiros para pressionar os tomadores de decisão a agirem de forma a responder aos anseios da própria sociedade. Não ocorre de forma perfeita, claro, havendo aproveitadores e distorções, mas há também um espaço real e concreto para tanto, bem como realizações constantes. É isso que significa a reivindicação de Hilary de que a sociedade civil esteja no controle da transparência dos governos. Ela, infelizmente, não consegue dimensionar que há grandes diferenças entre a sociedade civil norte-americana, que pode entender o que ela pede, e a brasileira, que não consegue entender sua declaração completamente. Nossa sociedade civil ainda está em gestação, por incrível que possa parecer. Por isso, ela reduz sua participação no combate à corrupção na denúncia dos atos criminosos dos políticos, jogando ainda a execução da fiscalização para a imprensa, que acaba sendo, se não o único fiscalizador, o que o faz de forma efetiva. Mais incrível ainda é atribuir ao governo também este papel, esperando que ele crie leis e órgãos para tanto, esquecendo que o governo, seja ele qual for,  é composto por personalidades investigáveis, as quais trabalham tanto pela transparência (quando são obrigados, com algumas exceções de líderes que realmente crêem neste princípio) quanto para impedir que ela se dirija a eles, principalmente se são eles os que fazem nascer a sua necessidade. No primeiro caso está certo caber a imprensa um papel de fiscalizador e denunciador, mas a imprensa tem uma parte do peso, já que não pode ir além de disseminar a verdade que descobre e fazer parte da pressão. Como o povo brasileiro se organiza pouco enquanto sociedade civil, ele acaba achando que seu papel fica restrito a saber quem presta e quem não presta para votar depois, esquecendo que os sistemas político e eleitoral que estão aí já são limitados, apodrecidos e corruptores, não adiantando muito escolher depois quem momentaneamente ficou de fora das descobertas feitas pela mídia, as quais, muitas vezes, servem apenas para afastar alguém de um cargo, mas não da política e, pior, não se consegue fazer o essencial: obrigá-los a restituir o que desviaram, ou puni-los adequadamente pelos crimes cometidos. Sendo assim, mais que dizer que evoluímos, ou nos tornamos um modelo a ser seguido, é melhor identificar o que está ocorrendo como uma situação em que o excesso está aparecendo por transbordamento. Assim, por questões de sobrevivência de uns líderes e estratégias de outros estão ocorrendo investigações, afastamentos de cargos e punições políticas, mas raramente jurídicas e criminais. No limite, estamos vivendo a situação tão comum na nossa história em que os que estão no poder e querem a manutenção do status quo em que vivem, acabam aceitando que se mude alguma coisa pontualmente, mas não estruturalmente, para que tudo permaneça como está. A pergunta chave é: quanto foi devolvido do que foi desviado já descoberto, denunciado e confirmado? E, quantos dos envolvidos estão presos? Como se pode ver, não estamos tão bem quanto entende a Secretária de Estado dos EUA.

(2)  Como está a situação da transparência no Brasil? O nível adiantado de transparência que a presidente Dilma declara é real?

RESPOSTA: Novamente, estamos no início. A presidente Dilma declarou o que tinha de declarar, pois é imediato que defenda seus atos e os potencialize. Neste ponto ela não difere de nenhum político e discursa em prol de suas conquistas, mesmo que ainda embrionárias, ou pequenas. No entanto, deve-se elogiar a aprovação da Lei de acesso a informações públicas, que foi publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de novembro de 2011. É um passo gigantesco, mas ainda incompleto, talvez com distorções, e a discussão em torno do sigilo acabou sendo borrada pelas questões de direitos humanos, passado recente etc., devendo ter sido ressaltado que a Lei significaria a emergência da sociedade civil, passando-se então para a criação de condições que permitissem à sociedade se organizar adequadamente e trabalhar pela governança, independente dos partidos políticos e demais instituições políticas e estatais. Deve-se ressaltar ainda que isto é o início e não será surpresa que aconteça o que é tradição no Brasil: faz-se uma Lei; com ela aplaca-se a cólera do povo, ou acalma-se a oposição e não se dá recursos (materiais, financeiros, humanos, tecnológicos etc.) para a sua aplicação. Com isso temos mais uma Lei que se desgasta e cai no ridículo, apesar de ser essencial para a vida do povo e crescimento da sociedade. Falta disponibilizar os meios que permitam à sociedade atuar. Além disso, é essencial atuar sobre o judiciário que se politizou excessivamente nos últimos anos e tem necessitado receber luz sobre sua atuação. Dá mesma forma, sobre o Legislativo, que precisa ter não apenas transparência sobre os atos e gastos dos políticos, mas principalmente esclarecimentos para a população sobre a tramitação parlamentar e não adianta dizer que o página da Câmara e do Senado o fazem, pois dizem as regras da tramitação, mas não como elas são efetivamente operacionalizadas. Com relação a declaração de transparência feita pela Presidente, não se pode avaliar, pois a transparência não está vindo por iniciativa do Governo para fiscalizar os seus membros e iniciar a criação de uma nova estrutura política, um novo sistema político, mesmo porque ela não pode fazer isso, mas como conseqüência da pressão recebida após denúncias para afastar membros seus, feitas pela Imprensa que tem sido a grande instituição de defesa da democracia, da transparência e de combate à corrupção no Brasil. Destaque-se que os afastamentos que ocorreram foram por necessidade política e por sobrevivência, mas não por defesa da transparência. Deve-se contudo ressaltar que Dilma herdou um governo praticamente montado e tem uma enorme tarefa de reorganizá-lo, dando-lhe sua configuração específica sem incorrer no rompimento com sua base, partido e conseqüente isolamento, gerando ingovernabilidade. Discordo da alegação de transparência, mas não se pode discordar que ela (Dilma) tem tentado fazer neste aspecto mais do que foi feito nos últimos 20 anos, independentemente de isso ser consciente, ou não, voluntário, ou como último recurso.

(3)  Como se pode avaliar a percepção da população brasileira neste quesito?

RESPOSTA: Infelizmente, parece que a população brasileira pode estar se dividindo em 6 grupos: (I) os que percebem que há muita coisa errada e não sabe o que fazer; (II) os que não tem tempo para prestar atenção no que ocorre, pois sua preocupação é saber se estarão vivos amanhã, desgraçadamente são a maioria; (III) os que descobriram como participar do status quo e buscam estratégias de não perder o que conseguiram [independente de serem corruptos, cúmplices, ou omissos]; (IV) os iludidos; (V) os opositores que são oposição por falta de oportunidade de entrar na situação, bastando uma chance e viram para o grupo dos que descobriram como participar do staus quo; e (VI) os opositores que podem apenas gritar, pois sabem que o problema é estrutural e não tem capacidade de agir. Neste sentido, visto os resultados recentes de escândalos e afastamentos de políticos, mas não de punição ou restituição dos bens expropriados, pode-se dizer que está havendo a percepção de que as coisas estão mais difíceis, mas continua a impunidade. Logo, em contato com o povo, conversando, pesquisando e estudando percebe-se que, no limite, as pessoas vêem que os corruptos sabem que terão de trabalhar mais para não serem pegos, mas, se forem, não serão punidos, por isso não deixarão de arriscar. Os mais esclarecidos percebem que o problema é estrutural e não adiantará muito medidas pontuais se reformas estruturais não forem realizadas.

(4)  O brasileiro ainda se incomoda com os casos de corrupção? Ele está acostumado com esta realidade e já a considera normal?

RESPOSTA: Não, não se choca mais. A impunidade criou no brasileiro a sensação de que a realidade se divide entre quem tem força e quem não tem, podendo estar gerando um tipo de ser social sem valores de honestidade e justiça, ou pior, que concebe esses conceitos como sendo “o ponto de vista do mais forte”, quase a perspectiva de Trasímaco, no diálogo com Sócrates, escrito no Livro I, da República de Platão. Ou seja: a Justiça (logo, também a verdade, a honestidade etc.) é a visão e imposição da perspectiva do mais forte. O que explica, hoje, a maioria apenas quer fazer parte do que está aí, já que começa a achar que esta condição é a realidade, por isso, não é incorreta. O estudo da política já evoluiu o suficiente para saber que este tipo de visão gera a desagregação e destruição da sociedade. No mínimo a escravização de um povo. Talvez estejamos caminhando para este último ponto, vindo a escravização pela esquerda, ou pela direita, isto não é o relevante, mas sim a constatação de que se caminha para a perda da liberdade. Para comprovar como estamos nos inserindo na perspectiva de não mais nos chocarmos com a corrupção, em recente pesquisa realizada por um instituto brasileiro, que me escapa o nome e a data, foi constatado que a grande maioria dos entrevistados respondeu, mais ou menos assim: que se ocupasse um cargo de poder o usaria para obter benefícios individuais. Isto não quer dizer corrupção imediatamente, mas uma larga e asfaltada estrada em direção a ela. Em síntese, parece que a corrupção pode estar contaminando a alma do povo.

Estas respostas são a íntegra da entrevista concedida a jornalista Fernanda Dias, para o jornal on-line, “Opinião e Notícia (http://opiniaoenoticia.com.br/quem-somos/)  sobre a Corrupção no Brasil, pegando o gancho das declarações da Hillary elogiando a Dilma. As perguntas foram adaptadas, mantendo o espírito das questões levantadas pela jornalista.

ENTREVISTA COM DR. MARCELO SUANO SOBRE CORRUPÇÃO

(1)  Como pode ser interpretada a afirmação da Secretária de Estado dos EUA, Hilary Clinton, sobre estarmos caminhando bem acerca do combate à corrupção?

RESPOSTA: Há muitas questões que precisam ser tratadas. O melhor é dizer que estamos começando e há muito a caminhar, isto se não houver um retrocesso em breve e um trabalho gigantesco para tornar inócuas as Leis voltadas para a transparência. Inicialmente, HilLary fez o que se espera de uma responsável pela política externa e diplomacia de um país que busca aprofundar as aproximações e parcerias. Foi cortês, elogiosa e deu seguimento a uma proposta que teve origem com iniciativa dos dois governos, a qual, além disso, é essencial para a promoção da Democracia (vista da perspectiva ocidental), sendo ainda um ponto importante na política externa dos EUA, já que a promoção da Democracia está nos seus discursos e, onde houver regimes democráticos, maiores são as proximidades com os Estados Unidos. No discurso proferido pela Secretária norte-americana fica, contudo, transparente a crença em valores que são sagrados e claros para os estadunidenses, mas ainda não são completamente entendidos pelos brasileiros. Um deles é o papel da sociedade civil no combate à corrupção e no trabalho pela transparência. Lá, a Sociedade é efetiva neste aspecto. Ela se organiza, se associa, trabalha para tanto, reivindica, pressiona partidos, pressiona o governo, arrecada recursos, faz e forma candidatos políticos, cobra-os, destitui-os. Em síntese, lá, a Sociedade tem a Lei para permitir e, mais importante, para promover que a sociedade civil se organize e participe da governança, da fiscalização, bem como tenha condições de buscar meios materiais e financeiros para pressionar os tomadores de decisão a agirem de forma a responder aos anseios da própria sociedade. Não ocorre de forma perfeita, claro, havendo aproveitadores e distorções, mas há também um espaço real e concreto para tanto, bem como realizações constantes. É isso que significa a reivindicação de Hilary de que a sociedade civil esteja no controle da transparência dos governos. Ela, infelizmente, não consegue dimensionar que há grandes diferenças entre a sociedade civil norte-americana, que pode entender o que ela pede, e a brasileira, que não consegue entender sua declaração completamente. Nossa sociedade civil ainda está em gestação, por incrível que possa parecer. Por isso, ela reduz sua participação no combate à corrupção na denúncia dos atos criminosos dos políticos, jogando ainda a execução da fiscalização para a imprensa, que acaba sendo, se não o único fiscalizador, o que o faz de forma efetiva. Mais incrível ainda é atribuir ao governo também este papel, esperando que ele crie leis e órgãos para tanto, esquecendo que o governo, seja ele qual for,  é composto por personalidades investigáveis, as quais trabalham tanto pela transparência (quando são obrigados, com algumas exceções de líderes que realmente crêem neste princípio) quanto para impedir que ela se dirija a eles, principalmente se são eles os que fazem nascer a sua necessidade. No primeiro caso está certo caber a imprensa um papel de fiscalizador e denunciador, mas a imprensa tem uma parte do peso, já que não pode ir além de disseminar a verdade que descobre e fazer parte da pressão. Como o povo brasileiro se organiza pouco enquanto sociedade civil, ele acaba achando que seu papel fica restrito a saber quem presta e quem não presta para votar depois, esquecendo que os sistemas político e eleitoral que estão aí já são limitados, apodrecidos e corruptores, não adiantando muito escolher depois quem momentaneamente ficou de fora das descobertas feitas pela mídia, as quais, muitas vezes, servem apenas para afastar alguém de um cargo, mas não da política e, pior, não se consegue fazer o essencial: obrigá-los a restituir o que desviaram, ou puni-los adequadamente pelos crimes cometidos. Sendo assim, mais que dizer que evoluímos, ou nos tornamos um modelo a ser seguido, é melhor identificar o que está ocorrendo como uma situação em que o excesso está aparecendo por transbordamento. Assim, por questões de sobrevivência de uns líderes e estratégias de outros estão ocorrendo investigações, afastamentos de cargos e punições políticas, mas raramente jurídicas e criminais. No limite, estamos vivendo a situação tão comum na nossa história em que os que estão no poder e querem a manutenção do status quo em que vivem, acabam aceitando que se mude alguma coisa pontualmente, mas não estruturalmente, para que tudo permaneça como está. A pergunta chave é: quanto foi devolvido do que foi desviado já descoberto, denunciado e confirmado? E, quantos dos envolvidos estão presos? Como se pode ver, não estamos tão bem quanto entende a Secretária de Estado dos EUA.

(2)  Como está a situação da transparência no Brasil? O nível adiantado de transparência que a presidente Dilma declara é real?

RESPOSTA: Novamente, estamos no início. A presidente Dilma declarou o que tinha de declarar, pois é imediato que defenda seus atos e os potencialize. Neste ponto ela não difere de nenhum político e discursa em prol de suas conquistas, mesmo que ainda embrionárias, ou pequenas. No entanto, deve-se elogiar a aprovação da Lei de acesso a informações públicas, que foi publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de novembro de 2011. É um passo gigantesco, mas ainda incompleto, talvez com distorções, e a discussão em torno do sigilo acabou sendo borrada pelas questões de direitos humanos, passado recente etc., devendo ter sido ressaltado que a Lei significaria a emergência da sociedade civil, passando-se então para a criação de condições que permitissem à sociedade se organizar adequadamente e trabalhar pela governança, independente dos partidos políticos e demais instituições políticas e estatais. Deve-se ressaltar ainda que isto é o início e não será surpresa que aconteça o que é tradição no Brasil: faz-se uma Lei; com ela aplaca-se a cólera do povo, ou acalma-se a oposição e não se dá recursos (materiais, financeiros, humanos, tecnológicos etc.) para a sua aplicação. Com isso temos mais uma Lei que se desgasta e cai no ridículo, apesar de ser essencial para a vida do povo e crescimento da sociedade. Falta disponibilizar os meios que permitam à sociedade atuar. Além disso, é essencial atuar sobre o judiciário que se politizou excessivamente nos últimos anos e tem necessitado receber luz sobre sua atuação. Dá mesma forma, sobre o Legislativo, que precisa ter não apenas transparência sobre os atos e gastos dos políticos, mas principalmente esclarecimentos para a população sobre a tramitação parlamentar e não adianta dizer que o página da Câmara e do Senado o fazem, pois dizem as regras da tramitação, mas não como elas são efetivamente operacionalizadas. Com relação a declaração de transparência feita pela Presidente, não se pode avaliar, pois a transparência não está vindo por iniciativa do Governo para fiscalizar os seus membros e iniciar a criação de uma nova estrutura política, um novo sistema político, mesmo porque ela não pode fazer isso, mas como conseqüência da pressão recebida após denúncias para afastar membros seus, feitas pela Imprensa que tem sido a grande instituição de defesa da democracia, da transparência e de combate à corrupção no Brasil. Destaque-se que os afastamentos que ocorreram foram por necessidade política e por sobrevivência, mas não por defesa da transparência. Deve-se contudo ressaltar que Dilma herdou um governo praticamente montado e tem uma enorme tarefa de reorganizá-lo, dando-lhe sua configuração específica sem incorrer no rompimento com sua base, partido e conseqüente isolamento, gerando ingovernabilidade. Discordo da alegação de transparência, mas não se pode discordar que ela (Dilma) tem tentado fazer neste aspecto mais do que foi feito nos últimos 20 anos, independentemente de isso ser consciente, ou não, voluntário, ou como último recurso.

(3)  Como se pode avaliar a percepção da população brasileira neste quesito?

RESPOSTA: Infelizmente, parece que a população brasileira pode estar se dividindo em 6 grupos: (I) os que percebem que há muita coisa errada e não sabe o que fazer; (II) os que não tem tempo para prestar atenção no que ocorre, pois sua preocupação é saber se estarão vivos amanhã, desgraçadamente são a maioria; (III) os que descobriram como participar do status quo e buscam estratégias de não perder o que conseguiram [independente de serem corruptos, cúmplices, ou omissos]; (IV) os iludidos; (V) os opositores que são oposição por falta de oportunidade de entrar na situação, bastando uma chance e viram para o grupo dos que descobriram como participar do staus quo; e (VI) os opositores que podem apenas gritar, pois sabem que o problema é estrutural e não tem capacidade de agir. Neste sentido, visto os resultados recentes de escândalos e afastamentos de políticos, mas não de punição ou restituição dos bens expropriados, pode-se dizer que está havendo a percepção de que as coisas estão mais difíceis, mas continua a impunidade. Logo, em contato com o povo, conversando, pesquisando e estudando percebe-se que, no limite, as pessoas vêem que os corruptos sabem que terão de trabalhar mais para não serem pegos, mas, se forem, não serão punidos, por isso não deixarão de arriscar. Os mais esclarecidos percebem que o problema é estrutural e não adiantará muito medidas pontuais se reformas estruturais não forem realizadas.

(4)  O brasileiro ainda se incomoda com os casos de corrupção? Ele está acostumado com esta realidade e já a considera normal?

RESPOSTA: Não, não se choca mais. A impunidade criou no brasileiro a sensação de que a realidade se divide entre quem tem força e quem não tem, podendo estar gerando um tipo de ser social sem valores de honestidade e justiça, ou pior, que concebe esses conceitos como sendo “o ponto de vista do mais forte”, quase a perspectiva de Trasímaco, no diálogo com Sócrates, escrito no Livro I, da República de Platão. Ou seja: a Justiça (logo, também a verdade, a honestidade etc.) é a visão e imposição da perspectiva do mais forte. O que explica, hoje, a maioria apenas quer fazer parte do que está aí, já que começa a achar que esta condição é a realidade, por isso, não é incorreta. O estudo da política já evoluiu o suficiente para saber que este tipo de visão gera a desagregação e destruição da sociedade. No mínimo a escravização de um povo. Talvez estejamos caminhando para este último ponto, vindo a escravização pela esquerda, ou pela direita, isto não é o relevante, mas sim a constatação de que se caminha para a perda da liberdade. Para comprovar como estamos nos inserindo na perspectiva de não mais nos chocarmos com a corrupção, em recente pesquisa realizada por um instituto brasileiro, que me escapa o nome e a data, foi constatado que a grande maioria dos entrevistados respondeu, mais ou menos assim: que se ocupasse um cargo de poder o usaria para obter benefícios individuais. Isto não quer dizer corrupção imediatamente, mas uma larga e asfaltada estrada em direção a ela. Em síntese, parece que a corrupção pode estar contaminando a alma do povo.

Estas respostas são a íntegra da entrevista concedida a jornalista Fernanda Dias, para o jornal on-line, “Opinião e Notícia” (http://opiniaoenoticia.com.br/quem-somos/)  sobre a Corrupção no Brasil, pegando o gancho das declarações da Hillary elogiando a Dilma. As perguntas foram adaptadas, mantendo o espírito das questões levantadas pela jornalista.

Corrupção e a importância das instituições: o caso mexicano

Escrito Por Katiuscia Moreno Galhera Espósito

Sérgio Buarque de Holanda escreveu em “Raízes do Brasil”, o problema da falta de instituições, para o caso brasileiro. O “jeitinho brasileiro” seria resultado da frouxidão institucional, dentre outros aspectos. Para o México podemos citar o problema institucional como um dos grandes males do país nesse início de século, derivando daí a pobreza social, conforme pode ser visto em artigo no “Washington Post”: “polling experts say Mexico remains stricken with a form of social poverty that presents a vexing obstacle to the emergence of a more developed, democratic neighbor on the southern U.S. border. It is a deficit of social trust, characterized by weak levels of confidence in public institutions — police, courts, politicians — but also the erosion of interpersonal trust among neighbors and co-workers”*[1]. A falta de confiança existe, dentre outros fatores, por conta da corrupção no país. Continuar a lerCorrupção e a importância das instituições: o caso mexicano

Colleagues In Care adota nuvem da IBM para colaborar com médicos no Haiti

A organização sem fins lucrativos Colleagues In Care (CIC), rede global de profissionais da área médica, encontrou na tecnologia um importante aliado para ajudar a melhorar a saúde de milhares de pessoas em todo o mundo. A intituição adotou o IBM SmartCloud, ferramenta de colaboração baseada na nuvem da IBM, para fornecer a voluntários acesso imediato a dados e informações críticas para sanar necessidades de saúde de cidadãos. O sistema inclui opções de tratamento, os caminhos clínicos mais adequados e melhores práticas. Continuar a lerColleagues In Care adota nuvem da IBM para colaborar com médicos no Haiti