COMUNICADO URGENTE (AJUDA HUMANITÁRIA) – AÇÃO CONJUNTA INTERNACIONAL PARA AJUDAR AO HAITI, ATINGIDO POR TERREMOTO DEVASTADOR

A sociedade internacional prepara-se para uma ação conjunta de ajuda ao Haiti, atingido ontem, dia 12 de janeiro, por um forte terremoto de 7.3 graus na escala Richter. Pelo menos dois tremores secundários de 5.9 e 5.5 graus, foram registrados logo após o primeiro terremoto. De acordo com Dale Grant, analista do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), este foi o terremoto mais forte já registrado na região. Até este episódio, o tremor mais potente foi de 6,7 graus na escala Richter, em 1984.

Não há confirmação do número de mortos e feridos, porém os fatos apresentados pela mídia indicam grande destruição na capital, Porto Príncipe, onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas. O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, declarou à rede de notícias CNN que os tremores foram “uma catástrofe de grandes proporções“.

O Presidente dos EUA, Barack Obama, determinou ao Departamento de Estado e ao Pentágono que preparem ajuda humanitária para, se necessário, enviar ao Haiti. A Casa Branca informou que o Departamento de Estado; a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês) e o Comando Sul do Pentágono, que coordena as atividades militares na América Latina, começaram a realizar uma avaliação conjunta da situação no Haiti para preparar um possível contingente de ajuda. Inicialmente, está sendo enviado um grupo de 72 especialistas em resgate e seis cães treinados para buscas.

Até o momento, o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, não se manifestou oficialmente sobre o terremoto que atingiu o país.

De acordo com nota oficial publicada pelo Ministério das Relações Exteriores, em conversa com o Ministro Celso Amorim o Presidente Lula “manifestou sua profunda preocupação com a situação dos brasileiros e do povo haitiano” e “instruiu para que sejam avaliadas as necessidades para que o Brasil possa apoiar o esforço de ajuda humanitária ao Haiti”. Ademais, no Blog da Presidência foi anunciado que o governo brasileiro vai doar 14 toneladas de alimentos e US$ 10 milhões ao Haiti.

Na manhã de hoje, 13 de janeiro, em nota oficial, o Ministério da Defesa declarou que há registro de militares brasileiros desaparecidos. Já o Ministério das Relações Exteriores divulgou que a sala de crise sobre o Haiti está em funcionamento durante 24 horas e as informações referentes aos cidadãos brasileiros no país poderão ser obtidas junto ao Núcleo de Assistência a Brasileiros, nos seguintes telefones:

(061) 3411.8803

(061) 3411.8805

(061) 3411.8808

(061) 3411.8817

(061) 3411.9718

(061) 8197.2284.

Cabe lembrar que o Brasil participa, no momento, com 1.266 militares da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), dos quais 250 são da engenharia do Exército, como divulgado em nota oficial do Ministério da Defesa. O Brasil também atua naquele país com projetos de Cooperação Técnica, por intermédio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Outros países como a Alemanha, China, Colômbia, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, República Dominicana, Suíça e Venezuela, também já declararam que deverão enviar aos haitianos.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) se manifestou anunciando, nesta terça-feira, 12 de janeiro, uma doação de emergência de 200 mil dólares para a compra de alimentos, água, medicamentos e barracas para as vítimas do terremoto no país. “Estamos acompanhando de perto a situação e estamos prontos para ajudar o Haiti a lidar com esta catástrofe“, declarou o presidente do Banco, Luis Alberto Moreno. E completou: “Estamos em contato com outros doadores, para partilhar informações e coordenar as ações de resposta”.

A Organização das Nações Unidas (ONU) teve sua sede no país gravemente afetada e divulgou que está preparando um grande esforço internacional. A sede do Banco Mundial também foi destruída e alguns funcionários da instituição estão desaparecidos. O órgão anunciou o envio de uma equipe para avaliar os danos e ajudar a montar um plano de recuperação.

Segundo dados da Central Intelligence Agency (CIA), o Haiti é considerado o país mais pobre da América Latina. Sofre com as mortes provocadas por doenças como a AIDS, além de problemas causados pela falta de saneamento básico.

De acordo com informações obtidas pelas fontes internacionais, em especial o conjunto de análises de conjuntura e notas analíticas escritas pelo colaborador do Site do CEIRI, o analista de cooperação internacional e gestor de projetos internacionais, Jean Garry*, além dos problemas de infra-estrutura, o país tem altos índices de mortalidade infantil e baixas taxas de crescimento populacional, bem como uma forte crise político-institucional que a Cooperação Internacional ainda não foi capaz de aplacar divido ao montante de medidas assistencialistas e poucos investimentos em longo prazo.

—————————————————————————————————————————————-

* Jean Garry é haitiano, reside em Puerto Príncipe. É formado em Marketing pela Universidad Interamericana de Santo Domingo, possui Pós-Graduação em Gestão de Projetos Sociais pela Universidad Autónoma de Santo Domingo e atualmente é Mestrando em Economia pela Universidad Internacional de Andalucía (Espanha). É graduado no Curso de Gerenciamento Social do Instituto de Desenvolvimento Social (INDES) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington, e do curso Gestão Estratégica do Desenvolvimento Social e Regional da Comissão Econômica para América Latina (CEPAL) em Santiago do Chile. Tem experiência como Gerente de Marketing em diversas empresas privadas e trabalhou como consultor em Desenvolvimento Comunitário do Ministério de Obras Públicas do Haiti e em diversos projetos de desenvolvimento. É professor em Universidades e colaborador independente em meios de comunicação no Haiti e Colaborador do Site do CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais) na área de Cooperação Internacional e nas questões pertinentes ao Haiti e América Central.

FONTE: http://www.webceiri.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=860:comunicado-urgente-ajuda-humanitaria-acao-conjunta-internacional-age-para-ajudar-ao-haiti-atingido-por-terremoto-devastador&catid=85:analises-de-conjuntura&Itemid=86

NA PRESIDÊNCIA ROTATIVA DA UE, A SUÉCIA FICOU CONSTRANGIDA A RESOLVER OS PROBLEMAS POLÍTICO-INSTITUCIONAIS DO BLOCO

Em 2009, de 1º de julho a 31 de dezembro, a Suécia sucedeu à República Tcheca na  Presidência Rotativa da Comunidade Européia. A escolha dos suecos foi por mérito. O evento foi realizado no Parque Skansen, uma espécie de quintal da casa de todo sueco, principalmente dos que vivem em Estocolmo. Foi uma cerimônia de verão e, apesar da informalidade comum nesta estação do ano, ela não perdeu a solenidade que o ato merecia. Na presença do Rei Gustavo Adolfo e da Rainha Silvia Bernadotte, o Primeiro Ministro da Suécia,  Fredrik Reinfeldt, disse do valor que o país agrega ao ser guindado a tal posição no mosaico europeu de nações. O ato contou com a presença de Margot  Wahlström, a representante sueca em Bruxelas, sede da União Européia.

Esperou-se da Suécia que usasse seu prestígio, sua liderança e desse ao mundo um exemplo de tratamento adequado em relação à questão do meio-ambiente, devido ao fato de este ser o tema predileto de cada cidadão do país.

Da mesma forma, esperou-se que enfrentasse os inúmeros desafios que atingiram a Europa, graças à crise mundial iniciada no ano anterior. Um exemplo de problema premente era, na época e ainda é, o combate ao desemprego, que aumentou ao longo dos últimos doze meses, tomando-se como base o momento em que os suecos assumiram a presidência.

Esperou-se, ainda, que outros desafios de caráter mundial, como é o caso do aquecimento global, também fossem tratados com afinco e as respostas fossem ofertadas pelo conjunto dos membros da UE, tanto que, na agenda, estava previsto que, em dezembro, fosse enviado às Nações Unidas um novo Tratado, firmado pelos 27 países da União Européia, sobre o tema.

Essas questões, porém, foram tratadas de forma menos intensa, devido à expectativa de que tais temas fossem observados adequadamente na COP-15 e, principalmente, devido aos debates políticos necessários à aprovação do Tratado de Lisboa.

Uma campeã  da ecologia dentro de sua própria casa, a Suécia tem reconhecimento significativo e status suficiente para apresentar um modelo de preservação do meio ambiente, espelhados na sua vencedora rotina pela boa manutenção da Natureza.

Sabendo-se que o “Protocolo de Quioto”  expira em 2012, os líderes do país acreditaram que em dezembro, na Conferência de Copenhagen, capital da Dinamarca,  Fredrik Reinfeldt tivesse sucesso na apresentação da fórmula sueca de fazer as leis ambientais terem o respeito que merecem e acreditava-se que isso poderia ser visto com seriedade, em qualquer lugar do mundo.

Após a caótica presidência rotativa da UE pela República Tcheca, Reinfeldt tentou trabalhar para convencer os 27 países a observar as propostas em torno da manutenção e do respeito às leis ambientais, mas isso teve de ficar para o segundo plano, pois os problemas gerados pela ação da liderança tcheca, que por ser “eurocética”, não investiu adequadamente na costura necessária, para garantir mais passos para concluir a consolidação do Bloco.

Isso mostrou aos suecos que suas pretensões não poderiam ir além de negociar adequadamente a aprovação do “Tratado de Lisboa”, como aconteceu, pois este problema político se mostrou imediato, já que as suas conseqüências definiriam o futuro do Bloco, sua configuração e a maneira como os europeus se posicionarão perante o mundo.

Ou seja, as pretensões imediatas foram colocadas em segundo plano por ter emergido a percepção de que a questão política, uma vez resolvida, permitirá que pretensões e experiências, como as da Suécia, possam ser tratadas de forma correta e ganhar força para ter a projeção significativa no cenário global.

A questão era mais difícil do que aparentava porque havia apenas um semestre para conseguir negociar adequadamente a aprovação do Tratado, pela Irlanda. Sabia-se da dificuldade do problema, pois, em junho de 2008, um plebiscito mostrou que 53,4% da população irlandesa rejeitavam o Tratado, tendo como fator favorável, apenas, o fato de o governo do país não ter conseguido apresentar outro projeto.

A tenacidade sueca, no entanto, convenceu a tenacidade irlandesa e outras tenacidades que foram aparecendo. Para persuadir os opositores do Tratado, a estratégia adotada configurou-se na demonstração das vantagens de uma nova organização institucional, com uma presidência não-rotativa e não-semestral para a Europa.

O objetivo foi convencer os eurocéticos de que os cargos permanentes e estáveis na Presidência da UE e na representação externa permitirão aos europeus ter as lideranças necessárias para enfrentarem sua pesada agenda e dar, ao conjunto dos países membros, a força coletiva capaz de fazer frente nos diálogos internacionais.

Para Fredrik Reinfeldt as alterações climáticas exigem uma resposta em nível mundial e para combater o desemprego no continente a Suécia contava com o lançamento de uma estratégia de crescimento e de emprego, adotada coletivamente para a próxima década.

No exercício do cargo ele percebeu que esses projetos serão possíveis apenas se os europeus puderem atuar de forma adequada, algo não executável no momento, devido às questões político-intitucionais, que naquele momento precisavam ser resolvidas, daí ter dado preferência, em seu exercício, à questão da aprovação do Tratado de Lisboa.

O BRASIL E A COOPERAÇÃO SUL-SUL: UM BALANÇO

Enviado por: Bruno Ayllón Pino

Neste 19 de dezembro, dia da Cooperação Sul-Sul nas Nações Unidas, cumpre realizar um balanço da participação do Brasil nas iniciativas internacionais em prol do desenvolvimento. Governos, organizações internacionais e especialistas vêm apontando o protagonismo crescente do país na Cooperação Sul-Sul, embora ele não figure entre os grandes doadores de recursos financeiros.

A primeira contribuição brasileira diz respeito ao engajamento na transferência de um conjunto de conhecimentos técnicos e de soluções que tiveram impacto positivo sobre o desenvolvimento nacional e que podem ser replicadas em países com desafios semelhantes. Essa transferência se faz em uma ampla gama de setores e mobiliza uma diversidade de parceiros nacionais, entre ministérios, secretarias, fundações, universidades, centros de pesquisa, empresas e ONGs. Na área de qualificação profissional, por exemplo, o governo atua em parceria com o SENAI na estruturação de Centros de Formação Profissional para apoiar esforços de reconstrução em países atingidos por conflitos, como Angola e Timor-Leste. Já em parceria com a EMBRAPA, são desenvolvidos projetos que vão desde a transferência de tecnologias para a produção de biocombustíveis e alimentos em zonas tropicais à organização das cadeias produtivas agrícolas nacionais. Outro exemplo é a parceria com a Fiocruz na transferência da tecnologia dos Bancos de Leite Humano, que tiveram grande impacto na redução da mortalidade infantil no Brasil, para países latino-americanos e africanos.

Em segundo lugar, a atuação brasileira é destacada em vista de iniciativas conjuntas com organizações internacionais e países industrializados, que financiam a transferência das soluções brasileiras para países menos desenvolvidos. O engajamento na chamada “cooperação triangular” vem adquirindo premência no Haiti, onde o governo brasileiro conta com a parceria: do Canadá, no aprimoramento das ações de imunização; da Espanha, na recuperação ambiental e promoção do desenvolvimento agro-florestal sustentável; do Fundo de População das Nações Unidas, no combate à violência contra as mulheres; do Banco Mundial, em programas de merenda escolar e de manejo de resíduos sólidos; e da Organização Internacional do Trabalho, no combate ao trabalho infantil.

O Haiti também tem sido palco para o desenvolvimento de uma nova modalidade de cooperação, envolvendo dois ou mais países do Sul em benefício de um terceiro. É o caso, por exemplo, da parceria Brasil-Argentina em projeto de construção de cisternas para a produção de hortaliças e outros cultivos; e do projeto “Coleta de Resíduos Sólidos: uma ferramenta para reduzir violência e conflitos em Carrefour-Feuilles”, cuja primeira fase foi financiada pelo Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS) e recebeu prêmio das Nações Unidas como melhor iniciativa de Cooperação Sul-Sul em 2006.

O empenho do Brasil em transferir técnicas acessíveis e eficazes na promoção do desenvolvimento, sem visar ao lucro ou estabelecer condicionalidades, constitui, segundo vozes oficiais e muitos analistas, uma importante contribuição para a Cooperação Sul-Sul. Diferentemente dos dois maiores doadores emergentes, China e Índia, o Brasil não seria guiado por interesses políticos e econômicos de curto prazo, mas pela realização de interesses comuns em prol do desenvolvimento, sem que isso implique reprodução da clivagem Norte-Sul característica da Guerra Fria. Com efeito, o envolvimento crescente de doadores tradicionais na cooperação brasileira aponta uma busca de soluções pragmáticas para o desenvolvimento, ao mesmo tempo em que constitui indicativo de um comprometimento mais amplo com o multilateralismo.

Isso não significa, contudo, que as ações brasileiras se pautem apenas pela lógica da solidariedade. A cooperação com países menos desenvolvidos guarda, sem dúvida, relação com objetivos mais amplos ligados à abertura de mercados para produtos, serviços e investimentos brasileiros; à preservação dos interesses nacionais em países onde estejam ameaçados; e à busca de prestígio e de apoio para que o Brasil venha eventualmente ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

A busca pela realização dos interesses nacionais brasileiros nos parece legítima na medida em que não incorra em ações intervencionistas ou de caráter meramente assistencial. A satisfação de todas as partes envolvidas na Cooperação Sul-Sul é essencial para que ela se sustente ao longo do tempo e para que iniciativas hoje pontuais possam evoluir para arranjos mais duradouros de cooperação. Não obstante, ainda é necessário que o Brasil reúna esforços para a construção de uma política nacional de Cooperação Sul-Sul, dificultada em grande medida pela dispersão institucional das iniciativas e pela ausência de um sistema unificado de contabilidade dos recursos destinados à cooperação. Aqui, o maior envolvimento do país nas atividades do Comitê de Ajuda ao Desenvolvimento da OCDE poderia ser um instrumento poderoso para a centralização nacional das iniciativas e para a constituição de uma política brasileira na área.

Além disso, o país ainda enfrenta críticas internas ao empenho de recursos nacionais na cooperação com outros países do Sul. Se o argumento da solidariedade é suficiente para angariar apoio de alguns setores da sociedade brasileira, esforços de divulgação dos ganhos obtidos pelo Brasil com a Cooperação Sul-Sul, no que se refere ao desenvolvimento nacional, são fundamentais para que a sociedade civil seja informada sobre a relevância da participação brasileira nessas iniciativas. O empresariado brasileiro já entendeu isso e talvez possa ajudar na tarefa.

AUTORES: Bruno Ayllón Pino e Iara Costa Leite.

Bruno Ayllón Pino, é pesquisador do Instituto Universitário de Desenvolvimento e Cooperação da Universidade Complutense de Madri (IUDC/UCM).

Iara Costa Leite, é doutoranda em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ).

BRIC EM DISPUTA PELA ÁFRICA

ANÁLISE DE CONUNTURA ORIGINALMENTE PUBLICADA EM http://bit.ly/1ge1M5

O continente africano é um continente marcado por guerras civis, conflitos étnicos, problemas sociais e foi palco de disputa por territórios entre as grandes potências no século XIX e primeira metade do século XX.

Após a II Guerra Mundial (1939-1945) e o processo de descolonização do continente na segunda metade do século XX, a África passou continuamente para a periferia do sistema internacional e, embora tenha recebido investimentos nas áreas sócio-econômicas, os problemas internos não foram resolvidos, estagnando o desenvolvimento da região.

Dessa forma, o continente depende de investimento estrangeiro para o seu desenvolvimento e, no início do século XXI, começou uma nova disputa, mas, desta vez, não por territórios ou influencias ideológicas, mas pela busca de parceiros diplomáticos, com intuito de estabelecer parcerias comerciais e abertura de mercados no futuro.

Nesta disputa, o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) vem aumentando sua atuação no continente, por meio de cooperação econômica, intercâmbio intelectual e no estreitamento de relações sócio-culturais.

O Brasil, ao longo dos últimos anos tem se portado como ator de relevo e um dos maiores concorrentes da China no continente africano, pois vem buscando intensificar suas relações com a África. A título de ilustração, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, já acumulava seis viagens cobrindo 16 países africanos, até sua primeira visita à União Européia, em 2007, logo depois de sua reeleição. Lula também foi convidado de honra em uma reunião da “União Africana”, na Líbia.

Estas passagens do presidente brasileiro pelo continente são um lembrete para Pequim. Entre os dias 8 e 9 de novembro de 2009 está sendo realizado o “2º Fórum de Cooperação China-África” (FOCAC, sigla em inglês), pois o governo chinês tem ciência de que não são os únicos cortejando os africanos, suas matérias-primas e seus mercados futuros.

Em termos de relações comerciais, as relações entre Brasil e África obtiveram resultados positivos e crescentes no decorrer dos anos. No ano 2000, o comércio anual foi de US$ 3,1 bilhões de dólares. Já no ano passado, o comércio apresentou US$ 26,3 bilhões. É um aumento significativo, mesmo que os chineses ainda tenham grande vantagem, pois seu comércio bilateral com a África alcançou a cifra de 107 bilhões de dólares.

A Índia é outro membro do BRIC que vem obtendo resultados de crescimento com o continente africano, anunciando um aumento de US$ 4,9 bilhões para 32 bilhões de dólares, com trajetória similar à brasileira.

A Índia lidera o ranking de projetos, em termos de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Nos últimos seis anos, o país realizou 130 projetos, comparados com os 86 da China e os 25 do Brasil, segundo dados da South Africa’s Bank.

A Rússia se declarou de volta à África e preparada para desempenhar um papel mais ativo na região. Após uma declaração desse teor, dada em janeiro de 2009 por Mikhail Margelov, enviado russo ao Sudão, houve visitas do presidente Dmitri Medvedev ao Egito, Nigéria, Namíbia e Angola. O objetivo foi para tratar de acordos nas áreas de energia, mineração, telecomunicações e construção.

Dentre os países que compõem o BRIC, a China é a grande líder e já é o maior parceiro comercial da África no mundo, tendo superado, inclusive, os Estados Unidos. Como afirmado, em 2008, foram apresentados 107 bilhões de dólares nas relações comerciais, com 86 projetos em IEDs, mas o gigante asiático tem intenção de aumentar gradativamente esses números, com o intuito de se tornar maior o parceiro em todos os setores com o continente africano. Acredita que, assim, com o desenvolvimento dos países africanos, tendo responsabilidade direta nisso, obterá preferências nas relações comerciais.

O presidente chinês, Wen Jiabao, no primeiro dia da realização do “4º Fórum de Cooperação China-África”, no dia 8 de novembro, prometeu que irá liberar US$ 10 milhões em concessões de empréstimos para ajudar as nações africanas nos próximos três anos. Afirmou, ainda, que as dívidas dos países mais pobres no continente serão perdoadas. Em suas palavras, “Nós ajudaremos a África a melhorar sua capacidade de financiamento. Daremos US$ 10 milhões em concessões de empréstimos às nações africanas“.

Além do cancelamento das dívidas e do valor para concessão, os chineses irão construir 100 novos projetos de energia limpa para a África, objetivando contribuir para o continente enfrentar as questões climáticas. 

Essas promessas do presidente chinês foram respostas às críticas realizadas contra o seu país, quando foi alegado que o crescimento dos interesses da China na África, em busca de matérias-primas, tem ignorado o agravamento dos problemas relacionados ao desenvolvimento e aos direitos humanos em muitos países africanos.  

Jiabao disse que as relações entre seu país e o continente já ocorre há cinco décadas e inclui a ajuda aos países que se livraram do colonialismo, mas parte do mundo só agora começou a notar o papel da China na África. “O povo chinês oferece amizade verdadeira ao povo africano e o apoio da China ao desenvolvimento da África é concreto e real“, afirmou.

Esse aumento das relações dos membros do BRIC com o continente tem contribuído para alterar a configuração das relações comerciais. “Isso não é algo novo – só foi acelerado pela crise econômica. (que agora) 

O aumento de fontes competitivas de comércio no continente africano despertou o desejo do africanos se libertarem da dependência exagerada de laços comerciais com um ou dois parceiros ocidentais, em particular com os Estados Unidos.

Essas incursões e os acordos comerciais que as seguem estão, pela primeira vez, em 50 anos, forçando os países do Ocidente a tentar retomar o continente ao qual eles sempre tiveram acesso comercial ilimitado” e “O potencial agrário da África se tornará um propulsor cada vez maior do comprometimento comercial dos BRICs com o continente”, disse, em nota, o Standard Bank.

O fator que tem enriquecido as relações do continente africano com o Brasil são as relações sócio-culturais. Nesse sentido, os brasileiros têm aproveitado as ligações culturais e lingüísticas para facilitar a promoção de seus negócios, principalmente com Angola e Moçambique.

Pelo fato de não existirem países no continente africano que compartilhem do idioma indiano, a Índia tende a dar preferência nas relações com a África do Sul, país que abriga mais pessoas de origem indiana no mundo.

Outro país que não tem semelhanças culturais ou lingüísticas com a África é a China, porém suas políticas para tratar das relações com os africanos são muito bem exploradas e vem crescendo, nisso tem pesado o aspecto financeiro.

Por exemplo, foi concedido o empréstimo de 1 bilhão de dólares a Angola, voltado para o setor agrário do país, que havia sido devastado pela guerra civil, que durou 27 anos e terminou em 2002.

Ao reboque de ações como essa, os chineses investem no intercambio cultural, levando futuros empreenderes chineses e africanos a aprenderem seus respectivos idiomas, suas culturas e, dessa forma, estreitam mais os laços de amizade.

O governo chinês ainda conta com a Zona de Administração Especial de Macau, que é a porta de entrada de países de língua portuguesa na China e mantêm fortes relações comerciais com Moçambique e Angola.

Como o continente africano está buscando novos parceiros, os membros do BRIC estão aumentando suas relações com o continente, aproveitando as oportunidades de novos negócios, e investindo em planejamentos de curto e longo prazo, os quais já estão apresentando resultados positivos.

É voltado para o comércio entre países emergentes ao invés do tradicional comércio entre norte e sul”, e “O equilíbrio de poder comercial mudou completamente”, disse Martyn Davies, da Frontier Advisory, consultoria de investidores em mercados emergentes africanos, com base na África do Sul.