ONU aprova Tratado de Proibição de Armas Nucleares

Liderados pelo Brasil, México, África do Sul, Áustria e Nova Zelândia, os países que se reuniram em conferência das Nações Unidas em Nova York aprovaram em 7 de julho de 2017 o Tratado de Proibição de Armas Nucleares (TPAN), sendo esse o primeiro instrumento vinculativo multilateral de desarmamento nuclear negociado em 20 anos, desde o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de 1968.

O tratado representa um passo e contribuição importante para as aspirações comuns de um mundo sem armas nucleares”, disse o porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, após sua adoção. “Espero que este novo tratado promova um diálogo inclusivo e uma cooperação internacional renovada visando alcançar o objetivo há muito atrasado do desarmamento nuclear”, acrescentou.

Embaixadora Elayne Whyte Gómez (Costa Rica) fala sobre o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares – Conferência de Imprensa (7 de julho de 2017)

O Tratado, que foi aprovado por 122 votos a favor e um contra (Holanda), com uma abstenção (Cingapura), proíbe a gama completa de atividades relacionadas com armas nucleares, como desenvolver, testar, produzir, fabricar, adquirir, possuir ou armazenar armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares, bem como o uso ou ameaça de uso dessas armas. O voto contrário da Holanda se entende por esse país armazenar em seu território armas nucleares dos EUA, sob o comando da OTAN.

Nós nos sentimos emocionados porque estamos respondendo às esperanças e sonhos das gerações presentes e futuras”, disse a Embaixadora Elayne Whyte Gómez, da Costa Rica, que atua como Presidente da Conferência que negociou o Tratado, em atendimento ao mandato conferido pela Assembleia Geral da ONU. Ela ainda disse que, com o Tratado, o mundo está “a um passo” para uma eliminação total das armas nucleares.

Ele estará aberto à assinatura de todos os Estados na sede da ONU em Nova York a partir de 20 de setembro de 2017 e entrará em vigor 90 dias depois de ter sido ratificado por pelo menos 50 países. No entanto, vários permaneceram fora das negociações, incluindo os Estados Unidos, a Rússia e outros Estados dotados de armas nucleares, bem como muitos de seus aliados, alguns dos quais, como a Holanda, Bélgica, Alemanha e Turquia, que armazenam armas nucleares em seus territórios. A Coréia do Norte também não se juntou às negociações.

Em uma declaração conjunta divulgada no mesmo dia da aprovação do TPAN, as delegações dos Estados Unidos, Reino Unido e França na ONU afirmaram que “não participaram da negociação do tratado e não pretendem assinar, ratificar ou tornar-se parte disso”. Diz ainda essa declaração que “esta iniciativa ignora claramente as realidades do ambiente de segurança internacional” e que “a adesão ao tratado de proibição é incompatível com a política de dissuasão nuclear, que tem sido essencial para manter a paz no mundo há mais de 70 anos”.

 

Um hibakusha, um sobrevivente do bombardeio atômico de Nagasaki, conta aos jovens sobre sua experiência e mostra fotos. Encontro no Edifício das Nações Unidas em Viena, durante o NPT PrepCom 2007

Em resposta a perguntas sobre esta declaração conjunta, a Embaixadora Whyte Gómez lembrou que, quando o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) foi adotado, há duas décadas, não houve também, a princípio, um grande número de adesões. Aberto à assinatura em 1968, ele entrou em vigor em 1970. Em 1995, foi prorrogado indefinidamente. Um total de 191 Estados aderiu ao TNP, incluindo os cinco Estados dotados de armas nucleares que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos). No início, era inimaginável que esses Estados fossem partes no TNP, observou a embaixadora, “mas o mundo muda e as circunstâncias mudam”. Outros países que também são dotados de armas nucleares como Índia, Paquistão e Israel nunca aderiram ao TNP. A Coréia do Norte aderiu, mas posteriormente abandonou.

A Embaixadora acrescentou que o hibakusha, sobreviventes de bombas nucleares de Hiroxima e Nagasaki, tem sido a força motriz para criação do tratado de proibição de armas nucleares. As experiências que eles compartilharam “tocam a alma humana”, disse ela, acrescentando que as negociações foram uma “combinação de razão e coração”.

A comunidade internacional tem agora, portanto, um novo marco regulatório, sem as deficiências, ambiguidades e assimetrias do TNP. O regime internacional de não proliferação nuclear, que até hoje foi baseado no TNP, terá que considerar o TPAN, queiram ou não os Estados dotados de armas nucleares e seus aliados. Sem dúvida, as regras do jogo mudarão, ainda que não se possa claramente prever hoje quais serão os reais impactos dessa mudança a curto, médio e longo prazo. Ainda que nenhuma arma venha a ser desativada no futuro próximo por causa do TPAN, o custo político de manter os arsenais nucleares irá certamente aumentar.

Comiss!ao Preparatória para a Desnuclearização da América Latina (COPREDAL)

Esta é exatamente a ideia do Tratado, ou seja, constituir um instrumento de pressão política, mesmo com os Estados dotados de armas nucleares não tendo participado de suas discussões e no momento não se vislumbre a adesão de nenhum desses países a ele. O importante no caso é a “criminalização” das armas nucleares, decorrente do TPAN, similarmente ao que já foi feito pelos os tratados de proscrição de armas químicas e biológicas.

O TPAN vem se juntar aos tratados que estabelecem zonas livres de armas nucleares, como é o caso da America Latina e Caribe, pelo Tratado de Tlatelolco, no sentido de a humanidade alcançar o sonho de um mundo totalmente livre de armas atômicas. O TPAN nos traz esperança no momento particularmente difícil das relações internacionais que vivemos, no qual líderes mundiais parecem estar dispostos a “atravessar o Rubicão” nuclear como nunca estiveram desde a Guerra Fria. O fato de o Brasil ter sido um dos países que lideraram a conferência que aprovou o TPAN tem sido motivo de orgulho para todos os brasileiros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 As nações debatem a ideia de um tratado de proibição de armas nucleares na ONU, em Genebra, em maio de 2016” (Fonte):                                                                                   

https://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_on_the_Prohibition_of_Nuclear_Weapons

Imagem 2 Embaixadora Elayne Whyte Gómez (Costa Rica) fala sobre o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares Conferência de Imprensa (7 de julho de 2017)” (Fonte):                                                                                   

http://webtv.un.org/…/transforming-the-world-…/4930324186001/watch/elayne-whyte-gómez-costa-rica-on-the-treaty-on-prohibition-of-nuclear-weapons-press-conference-7-july-2017/5496371703001 (Copiar no Navegador)

Imagem 3 Um hibakusha, um sobrevivente do bombardeio atômico de Nagasaki, conta aos jovens sobre sua experiência e mostra fotos. Encontro no Edifício das Nações Unidas em Viena, durante o NPT PrepCom 2007” (Fonte):                                                                                   

https://en.wikipedia.org/wiki/Hibakusha

Imagem 4 Comisión Preparatoria para la Desnuclearización de la América Latina (COPREDAL)” (Fonte):                                                                                   

http://www.opanal.org/tratado-de-tlatelolco/

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Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Triunfo da Marcha da Insensatez

O quadro contemporâneo das relações internacionais tem apresentado uma situação que pode comprovar uma crença da cultura hindu de que a humanidade pode estar vivendo a Era de Kali (a Kali Yuga), quando o homem presencia  um período de degradação de sua própria humanidade, da cultura, da sociedade, do meio ambiente, em síntese, uma degradação espiritual graças ao fato de estar vivendo cada vez mais longe de Deus. É a Era em que o Divindade Kali terá permissão para caminhar nesta terra, já que estão postas as condições propiciadoras para que ela transite livremente, até que Kalki apareça para destruí-la, quando surgirá uma era de ouro.

Os cristãos tem perspectiva assemelhada, pregando que estamos diante de um momento apocalíptico, quando a Revelação, significado de Apocalipse, ocorrerá, acompanhada de grande destruição para depois surgir uma era de paz. Curiosamente, o próprio Papa Francisco declarou, recentemente, acreditar que que estamos vivendo a terceira guerra mundial.

Poucos campos são tão férteis para refletir estas teses quanto as relações internacionais contemporâneas, onde uma expressão usada por vários especialistas ombreia com estes presságios: a marcha da insensatez.

O fato se confirma, não apenas pelo cenário global estar pulverizado com conflitos, guerras civis e desagregações de sociedades, uma vez que as instituições vem perdendo paulatinamente sua força e significado, sem que em seus lugares surjam outras capazes de preencher o vazio com a mesma capacidade de gerar equilíbrio e respeito pela vida e pela alteridade.

Está sendo confirmado pela incapacidade das lideranças mundiais pensarem e entenderem a nova realidade do século XXI, superando o século XX, superando até mesmo a forma mental da Guerra Fria, que, curiosamente, vem sendo ressuscitada apesar de uma possível sociedade civil internacional que está surgindo pedir constantemente para que o passo seguinte seja dado, em direção ao encerramento do século passado.

O Oriente Médio e a Crise Ucraniana são exemplares dessa situação de marcha da insensatez. Quando surgiu a Primavera Árabe, ela foi aplaudida porque representou para muitos a emergência das sociedades civis daquela região para encerrar os regimes autoritários e construir democracias. No entanto, os regimes caíram pelo esgotamento naquelas lideranças autoritárias de sua capacidade de exploração do povo e pelo isolamento que elas construíram para si próprias. Mas, os rebelados, ao atuarem, não tinham o entendimento do caminho para a criação de um cenário de respeito mútuo e tolerância necessários ao estabelecimento de regimes democráticos, algo que foi tanto proclamado por eles, pois as rebeliões se deram em sociedades onde instituições com características e essência democráticas não existem, ou são poucas. Ou seja, derrubou-se um regime e o poder foi ocupado, mas não para a implantação da democracia e sim para o estabelecimento de outra ordem com mentalidade similar aquela afastada, mesmo que por outro grupo.

Pior, como forma sedativa, festejou-se o que ocorria como o nascedouro de uma realidade democrática porque uma das instituições da Democracia foi adotada, o sufrágio, como se o Regime Democrático se resumisse a isso, ao voto, ao invés de se lembrar que ele se configura pela existência de instituições que permitem ao povo escolher os governantes, controlá-los, participar do processo de governança e ser capaz de retirá-los do poder, caso não cumpram seus papeis perante a sociedade, além de haver instituições que preservam o respeito pela diferença e o direito ao contraditório.

Como não foram criadas instituições democráticas, nem foi possível dar educação nesse sentido para que elas fossem pensadas e geradas, reduzindo Democracia ao voto, a Primavera Árabe saltou o verão e o outono e afundou no inverno sem estar vendo luz e sem ter gerado frutos adequados.

Os países continuam no caos e sob autoritarismos, alguns apenas com novos algozes, ou em processo de fragmentação, com a fragilização do Estado, bem como com a destruição das sociedades, tal qual se pode observar na Líbia, no Egito e na Síria, que, especialmente esta, em face do genocídio com mais de 220.000 mortos e dos milhões de refugiados pela região tem refletido diretamente no Líbano, Jordânia, Arábia Saudita, Israel, territórios reclamados pelos palestinos, bem como nos demais países do Oriente Médio que se posicionam em função das suas características, das idiossincrasias das casas reais, dos posicionamentos dentro do Islã e de reivindicações de autoridade perante os demais países muçulmanos.

Dificilmente, hoje, se pode compreender e identificar de forma clara a quem cabe a culpa pelo cenário de conflitos entre os povos árabes, bem como desses com os ocidentais. A possível culpa se dissipou na perda de norteadores morais por todas as partes e no emaranhado de alianças que colocam conjunturalmente inimigos inconciliáveis na condição de parceiros para enfrentar inimigos mais terríveis, caso explícito das tentativas de normalização das relações entre Ocidente e Irã, mesmo que venha recebendo contraposição direta de Israel, para confrontar o Estado Islâmico, o qual vem rompendo todas as normas de civilidade e humanidade em relação a todos e adotando, na sua mais pura definição, o comportamento anti-humano e genocida.

O cenário na região é típico de um sistema em degradação contínua e irreversibilidade, em que cada ação, mesmo a bem intencionada, gera baixa, ou quase nenhuma certeza sobre um resultado positivo, mas traz grande probabilidade de resultar em fracasso, ou em mais degradação, simplesmente porque as ações são direcionadas para solucionar um problema gerado por solução anterior aplicada a outro problema ad hoc, numa marcha contínua da insensatez, por incapacidade constante dos líderes de buscarem entendimento estrutural e, assim, uma solução também estrutural que gere paz com comprometimento coletivo.

Se olharmos o Estado Islâmico, por exemplo, ele tem em seus membros originários o líder que se autoproclamou califa, Abu Bakr al-Baghdadi, o qual, antes, passou por um campo de prisioneiros criado pelos ocidentais (EUA) no Iraque (o Camp Bucca, que seria um campo de prisioneiros modelo de detenção para desfazer a imagem que ficou do Campo de Abu Ghraib e suas torturas), onde foi identificado como prisioneiro civil, ficando por quase um ano (durante 2004), e no qual apresentou imagem e se consolidou como uma personagem com capacidade de mediação entre os muçulmanos.

O Camp Bucca se desenvolveu também como uma espécie de útero criado pelos ocidentais. Ali, al-Baghdadi foi ganhando autoridade e adotando a postura fundamentalista que assumiu posteriormente e depois tomou o poder local na medida em que se discutia e executava a retirada dos soldados norte-americanos do Iraque, já que a presença destes estava além dos custos suportáveis para os EUA. E al-Baghdadi  conseguiu isso após ganhar experiência e força na Guerra Civil da Síria, quando participou ativamente em oposição ao Governo Assad, logo certamente deve ter sido visto como um possível aliado do Ocidente.

Esqueceram os ocidentais de respeitar uma das regras básicas da política, já que decidiram se imiscuir nos problemas da região e tomar a liderança na resolução do problema que ali se instaurara: sempre que alguém renuncia ao poder sem criar condições institucionais para que não seja produzido um vácuo, este surge e a política não tolera o vácuo de poder, sendo ele sempre preenchido por um elemento que vem para instaurar uma ordem baseada exclusivamente na força que dispõe para se sobrepor ao outro e não para acalentá-lo. Quando o vácuo é criado aquele que o preenche implanta uma ordem cujo direito é constituído pela força.

Os ocidentais tem o dever de saber disso e tinham a obrigação de prever o que aconteceria. Se começaram as ações naquele território, não poderiam ter saído sem que houvesse condições políticas, institucionais e sociais para tanto. Curiosamente, o erro está para ser repetido: para enfrentar o Estado Islâmico, estão começando o treinamento de opositores moderados ao governo sírio e para eles serão fornecidos armamentos e capacitação, segundo consta, para combater o Califado Islâmico e não o Governo de Bashar al-Assad. Só não estão explicando o que resultará desses treinamentos quando os grupos se proliferarem e tiverem de lidar com subgrupos, com os partidários de Bashar al-Assad, com os curdos que querem independência e estão enfrentando o Estado Islâmico, mas, ao mesmo tempo bombardeados pelo Governo turco e agredidos no Irã, e com os iranianos, que vem estabelecendo diálogos com os EUA, especialmente depois do Acordo Nuclear, e apoiam o Governo Assad, contra qual esses opositores moderados, mas doravante bem armados e bem treinados, se opõem.

De forma mais curiosa se vê a tentativa de isolar a Rússia no cenário internacional, que poderia estar participando da solução desta contenda juntamente com os demais países do ocidente num compromisso coletivo, já que ela vem sendo acusada de invadir a Ucrânia e, por isso, tem sido apresentada como a grande inimiga atual, curiosamente, recebendo mais atenção que o terrorismo como adversário prioritário.

A tentativa de isolamento da Rússia em muito lembra as teses geopolíticas de contenção da União Soviética que nortearam a estratégia do Oeste ao longo da Guerra Fria. A Ucrânia e o sofrimento do seu povo parece que se tornaram a justificativa para recuperar a ideia de que o poder terrestre russo tem de ficar restrito ao seu território e não pode avançar pela Europa, ou pelo Oriente Médio, nem pelo sudeste asiático, pois ele não deve ter acesso aos mares quentes, algo que o tornaria um poder anfíbio (ou seja, tanto terrestre quanto marítimo) e, por isso, com capacidade de derrotar as potências marítimas ocidentais. Quase se vê Mackinder, Spykman e Kennan assessorando os líderes ocidentais com seus telégrafos, papiros, incunábulos (está certo que incunábulo é da época de Gutemberg, mas o raciocínio atual tem se esforçado muito em regredir no tempo) telefones de disco e não de teclas ou com touch screen, sendo ressuscitados da primeira metade do século XX.

São teses que pareciam estar afastadas do cenário estratégico diante da nova realidade de integração das economias e de globalização das cadeias produtivas, que criaram uma nova dinâmica nas relações internacionais, ao ponto de reduzir drasticamente a capacidade de os Governos dos países tomarem decisões unilaterais, vendo-se obrigados a consultar uns aos outros e aos demais tipos de atores no cenário, já que, agora, um país, quando ataca a economia de outro pode estar afetando a sua própria cadeia produtiva.

Além disso, também se imaginava que estas teses estavam afastadas devido à tentativa contemporânea russa de se inserir plenamente no ocidente, por ser ocidental, buscando a reforma de sua política, de sua sociedade, de sua tecnologia e de sua economia, abrindo-se para as economias ocidentais e procurando criar as condições de investimento típicos dos demais países capitalistas, tanto que trabalhou durante toda a primeira década do século XXI para entrar na OMC, acenando que se sujeitará as normas econômicas da coletividade internacional. Nesse sentido, talvez uma forma adequada de conter o poder terrestre, talvez fosse trazendo-o para o Ocidente, ao invés de isolá-lo cada vez mais, fazendo-o migrar para outro lugar. Curiosamente, o professor Samuel Huntington deu este conselho, quando escreveu “O Choque de Civilizações?”.

Em síntese, a marcha da insensatez se mostra cada vez mais forte neste momento em que os norteadores morais e sociais se perderam, típico da Era de Kali, mas, especialmente, porque há uma recusa entre os líderes políticos mundiais em reconhecer o nascimento do século XXI. Eles estão felicitando o que chamam de novo século pela aceleração proporcionada pelo avanço tecnológico, mas esquecem que a tecnologia é uma condição necessária para a passagem de uma era para outra, mas não uma condição suficiente, uma vez que se exige também a mudança da mentalidade.

Se hindus e cristão estiverem certos, vivemos um momento de transição e de revelação em que, antes da era de ouro que pode surgir, teremos de suportar o triunfo da marcha da insensatez, com a tragédia que a acompanhará, algo que a cada dia os líderes mundiais se esforçam por cortejar.

Links Selecionados – Cenário Venezuelano

POLÍTICA INTERNACIONAL (VENEZUELA – EL NACIONAL)

Ceballos, Baduel y Oliveros ahora están privados de la voz y la acción política

http://www.el-nacional.com/politica/Ceballos-Baduel-Oliveros-privados-politica_0_683931726.html

Desde los calabozos donde permanecieron hasta esta semana, Raúl Baduel, Daniel Ceballos y Deivis Oliveros no desperdiciaron oportunidades para persistir en su oposición al gobierno: varias cartas, manifiestos y hasta videos pudieron hacer llegar a la opinión pública. Ahora, cuando las elecciones parlamentarias plantean la posibilidad de un cambio político, los tres no podrían catalizar el descontento con el régimen, pues los jueces les prohibieron tajantemente comunicarse con la prensa o intervenir directamente en la diatriba política…

POLÍTICA INTERNACIONAL (VENEZUELA – EL NACIONAL)

Capriles: El gobierno sigue con la regaladera de los reales

http://www.el-nacional.com/politica/Capriles-gobierno-sigue-regaladera-reales_0_684531568.html

Henrique Capriles, gobernador del estado Miranda, aseguró que en el peor momento de la historia de Venezuela, el gobierno de Nicolás Maduro es “oscuridad en la casa y claridad en la calle”. “Este gobierno sigue con la regaladera de los reales de todos los venezolanos…

POLÍTICA INTERNACIONAL (VENEZUELA – EL NACIONAL)

María Corina Machado indicó que el gobierno tiene vínculos con el narcotráfico

http://www.el-nacional.com/GDA/Maria-Corina-Machado-vinculos-narcotrafico_0_684531552.html

Venezuela enfrenta la más difícil encrucijada histórica desde que es República. Los próximos días serán decisivos para avanzar en la transición hacia la democracia en paz, y con un inmenso esfuerzo comencemos a reconstruir el país,  superando la profundización del colapso institucional y económico que actualmente conlleva una crisis humanitaria de terribles consecuencias para todos los  venezolanos, e incluso para los países vecinos…

POLÍTICA INTERNACIONAL (RELAÇÕES VENEZUELA – CUBA)

Maduro ha viajado 11 veces a Cuba

http://www.el-nacional.com/politica/Maduro-viajado-veces-Cuba_0_683931687.html

El viaje del presidente Nicolás Maduro a Cuba es el undécimo que hace desde que asumió su mandado en 2013, según un registro de El Nacional. En esta ocasión fue para celebrar el cumpleaños de Fidel Castro y reunirse con su homólogo Raúl Castro para discutir la agenda regional e internacional…

POLÍTICA INTERNACIONAL (MERCOSUL – DEFESA REGIONAL / PERSPECTIVA OFICIAL DA VENEZUELA)

Venezuela presentará ante el Parlasur acuerdo en defensa del Esequibo

http://www.ciudadccs.info/2015/08/16/venezuela-presentara-ante-el-parlasur-acuerdo-en-defensa-del-esequibo/

La delegación de diputados venezolanos que asistirán a la XXXIII Sesión ordinaria y Sesión especial del Parlamento del Mercosur (Parlasur), que se estará efectuando en la ciudad de Montevideo, Uruguay a partir de este domingo 16 hasta el martes 18 de agosto, presentará un acuerdo ante la Plenaria de este órgano deliberante en respaldó a la defensa que está realizando el Gobierno bolivariano sobre el territorio Esequibo…

Links Selecionados – Eleições na Argentina

POLÍTICA INTERNACIONAL (ELEIÇÕES NA ARGENTINA – CLARIN)

Para Felipe Solá, si Massa baja su candidatura y Macri la de Vidal, fovorecerían a Scioli

http://www.clarin.com/politica/Elecciones_2015-Felipe_Sola-Frente_Renovador-una-Sergio_Massa-acuerdo_electoral-narcotrafico-droga-Anibal_Fernandez-Provincia_de_Buenos_Aires_0_1413458921.html

Felipe Solá, candidato a gobernador de la provincia de Buenos Aires por Unidos por una Nueva Argentina, descartó que haya existido la posibilidad de un acuerdo entre Sergio Massa y Mauricio Macri, para enfrentar las presidenciales del octubre…

POLÍTICA INTERNACIONAL (ELEIÇÕES NA ARGENTINA – LA NACIÓN)

La Presidenta se recluyó en Olivos enojada con Scioli

http://www.lanacion.com.ar/1819736-la-presidenta-se-recluyo-en-olivos-enojada-con-scioli

La presidenta Cristina Kirchner se recluyó en Olivos durante toda la semana, en un gesto con el que buscó transmitir malestar e incomodidad con el candidato presidencial del Frente para la Victoria (FPV), Daniel Scioli. A pesar de ello, en la Casa Rosada aseguran que la relación no entrará en crisis porque ambos necesitan ganar las elecciones del 25 de octubre próximo…

POLÍTICA INTERNACIONAL (ELEIÇÕES NA ARGENTINA – DIARIO POPULAR)

Scioli: “Macri ha revelado su claro proyecto neoliberal”

http://www.diariopopular.com.ar/notas/234447-scioli-macri-ha-revelado-su-claro-proyecto-neoliberal

El candidato presidencial del Frente para la Victoria, Daniel Scioli, aseguró que su contrincante de Cambiemos, Mauricio Macri, “ha revelado su proyecto claramente neoliberal y su deseo de llevar a cabo políticas de ajuste”, a la vez que afirmó que el triunfo en las PASO es “una gran responsabilidad” que toma “con mucha humildad”…

POLÍTICA INTERNACIONAL (ELEIÇÕES NA ARGENTINA – DIARIO POPULAR)

El oficialismo está cerca de los dos tercios en el Senado

http://www.diariopopular.com.ar/notas/234460-el-oficialismo-esta-cerca-los-dos-tercios-el-senado

Si los resultados de las elecciones primarias se repiten en octubre, el oficialismo no sólo aumentaría su presencia en el Senado, sino que se acercaría mucho a los dos tercios y no se descartan además posibles acercamientos de peronistas opositores en la etapa poskirchnerista. Ocho provincias elegirán senadores en los comicios generales: Catamarca, Córdoba, Corrientes, Chubut, La Pampa, Mendoza, Santa Fe y Tucumán renovarán tres bancas cada una y hasta el momento el saldo es muy favorable para el oficialismo…

POLÍTICA INTERNACIONAL (ELEIÇÕES NA ARGENTINA – PAGINA 12)

El PRO vuelve a negar un acuerdo con Massa

http://www.pagina12.com.ar/diario/ultimas/20-279499-2015-08-16.html

En tanto, consideró que los más de 8 puntos que separaron al frente que postuló a tres candidatos (Mauricio Macri, Elisa Carrió y Ernesto Sanz) del kirchnerismo (que postuló solo a Daniel Scioli) “por supuesto” que son descontables y advirtió que “ésta es una elección de tres vueltas”, en alusión a un eventual balotage…

HIROSHIMA E NAGAZAKI NUNCA MAIS!

O desenvolvimento da tecnologia nuclear foi iniciado durante a Segunda Guerra Mundial, focado, dadas as circunstâncias históricas, na produção de armas. A humanidade a conheceu de forma traumática, após os holocaustos de Hiroshima e Nagazaki. Na década seguinte, o Presidente dos EUA, general Eisenhower, criou um novo curso para a História com o Programa “Átomos para a Paz”, direcionando-a para os usos pacíficos, especialmente a geração de energia elétrica.

Passados 70 anos dos ataques de agosto de 1945, 9 países são reconhecidos como possuidores de armas nucleares: EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França, Índia, Paquistão, Israel, Coréia do Norte. A humanidade convive hoje com cerca de 20.000 armas nucleares em mísseis, aviões e submarinos desses países. O desarmamento nuclear permanece sem equacionamento. Pior ainda, recentemente vieram à tona os importantes programas de modernização de arsenais estabelecidos e em pleno vapor nesses estados possuidores de armas nucleares.

Essas armas, cada vez mais precisas e letais, são raramente mencionadas no debate sobre a questão nuclear. A única arma nuclear da qual se ouve falar é aquela que não existe (pelo menos ainda): a iraniana.

Hoje, a ameaça das armas nucleares encontra-se no final de uma longa fila de ansiedades sobre o nosso planeta e seu destino. Parecemos esquecer que o uso deliberado ou acidental de apenas 1 dessas 20.000 armas causaria uma devastação muitíssimo maior do que a de Hiroshima.

Por alguma estranha razão, a humanidade confia piamente no governo e na sociedade civil dos países que as possuem, mas freqüentemente encontra variados motivos para desconfiar daqueles que não as possuem.

Nem mesmo o debate decorrente do acidente de Fukushima reviveu o interesse sobre o tema. Pelo contrário, países que abrigam mais de uma centena desses milhares de armas, como a Alemanha, Bélgica e Itália, resolveram abandonar a geração elétrica nuclear. O Japão chegou mesmo a incluir na nova lei que reestruturou sua autoridade de segurança nuclear, lição aprendida do acidente, afirmações dúbias quanto ao uso da energia nuclear na defesa.

Todos os programas de armas nucleares dos países que as possuem precederam ou foram desenvolvidos independentemente da geração elétrica nuclear, que nunca foi causa ou caminho de acesso à bomba. Não existe possibilidade de que o renascente problema da proliferação nuclear possa ser resolvido pelo abandono das usinas nucleares.

A solução reside no fato de que, desde a década de 60 (acesso da França ao “clube da destruição em massa”), não mais existiu Estado de Direito democrático proliferante. Brasil e Nova Zelândia, além de serem democracias, são os únicos países nos quais as armas nucleares também são proscritas pela própria Constituição – exemplo pouco seguido.

A única maneira de estar seguro de armas nucleares é livrar-se delas – não apenas da iraniana, que ainda não existe, mas de todas elas. É uma tarefa hercúlea. Esse é um assunto está fora do noticiário e das agendas dos governos nacionais, organizações internacionais e ONGs. Mas se é para ser alcançada, precisa-se, pelo menos, começar a falar sobre isso. Urgente.

Originalmente publicado em: Opera Mundi

A GRANDE ESTRATÉGIA DOS EUA

RESUMO

A Grande Estratégia não é algo particular aos EUA. A diferença está no fato de que talvez esse país tenha sido aquele que colocou seus legítimos objetivos com máxima amplitude e os perseguiu ininterruptamente desde o final do século XVIII, tendo-os alcançado plenamente ao final do século XX. O desafio que se coloca para os EUA no século XXI é manter o que foi conquistado, impedindo o surgimento de ameaças que possam vir a desafiar os objetivos realizados. Muito se teoriza sobre um suposto “declínio do império americano”. A experiência histórica mostra, entretanto, que a continuidade e resiliência dos EUA na busca de seus objetivos, o atual sempre complementando e consolidando o anterior, torna essa possibilidade distante no tempo. Vivemos, entretanto, num mundo de incertezas que nos colocam enormes desafios globais. A resposta da Grande Estratégia dos países a esses desafios, em especial dos EUA, como inconteste hegemon, determinará o futuro que será construído pelas atuais gerações.

O conceito de Grande Estratégia

“A guerra! É uma coisa demasiado grave para ser confiada aos militares”. Esta conhecida frase do estadista francês, Primeiro-Ministro logo após a 1ª Guerra Mundial, Georges Clemenceau[1] está na origem do conceito da Grande Estratégia. Esse conceito engloba o gerenciamento dos recursos de uma nação inteira para atingir os objetivos nacionais. Não se trata, portanto, apenas de derrotar um adversário no campo de batalha, mas de como os assuntos militares contribuem para que os objetivos nacionais sejam atingidos.

Generally defined, grand strategy is the collection of plans and policies by which the leadership mobilizes and deploys the country’s resources and capabilities, both military and non-military, to achieve its national goals. Grand strategy exists in the real world of governing, whether it is carefully formulated and articulated in advance, or whether it evolves ad hoc out of the world-views, predilections, and subjectivities of those who govern”, segundo definição do “Interdisciplinary Program of Duke University on American Grand Strategy”[2].

Todos os países têm sua Grande Estratégia. Os EUA, entretanto, diferente da maioria dos outros países, alcançaram a maior parte dos seus objetivos estratégicos[3]. A Grande Estratégia Americana tem guiado a política dos EUA desde a independência do País, conquistada dos britânicos a duras penas após a Guerra de Independência (1775 – 1783)[4] e da Guerra de 1812[5] que consolidou definitivamente a vitória sobre os britânicos.

A Grande Estratégia, porém, nem sempre tem a ver com a guerra. Trata-se da totalidade dos processos que constituem o poder nacional de um país. No caso dos EUA, talvez mais do que para os outros países, a grande estratégia tem sim muito a ver com a guerra, mas também ainda mais com a interação entre a guerra e a economia.

Os Estados Unidos são, historicamente, um país guerreiro[6], tendo participado de guerras por cerca de 10% da sua existência, desde a independência até janeiro de 2013[7]. Essa estatística inclui somente grandes guerras: a Guerra de 1812, a Guerra México-Americana[8], a Guerra Civil[9], a Primeira[10] e a Segunda[11] Guerra Mundial, a Guerra da Coreia[12] e a do Vietnam[13]. Não inclui conflitos menores como a Guerra Hispano-Americana[14] ou a “Tempestade no Deserto”[15]. Durante o século XX, os EUA fizeram guerra durante 15% do tempo. Na segunda metade do século XX, estiveram em guerra durante 22% do tempo, e desde o início do século XXI os Estados Unidos têm constantemente estado em guerra. A guerra é fundamental na experiência social dos EUA e sua frequência aumenta constantemente. Está enraizada na cultura americana e na sua geopolítica.

Os EUA nasceram de uma cruenta guerra de independência e continuam a lutar até hoje num ritmo cada vez maior. A Grande Estratégia de outros países pode envolver mais questões econômicas do que conflitos, mas os objetivos estratégicos americanos e a Grande Estratégia americana originam-se no medo de perder o que foi conquistado. O mesmo vale para muitas nações. Roma não se constituiu para conquistar o mundo. Ela se constituiu para se defender e, durante esse esforço, tornou-se um império.

No seu início, os EUA poderiam ter ficado plenamente satisfeitos por se tornarem livres do jugo britânico com a vitória na Guerra de 1812. De certa maneira, foi isso que ocorreu com o Brasil, que conquistou sua independência após uma guerra[16] bem menos longa e sangrenta que os EUA[17]. A rudeza da Guerra de Independência Americana, entretanto, gerou em seguida novas vulnerabilidades e novos medos de perder o que havia sido duramente conquistado, ou seja, a liberdade de por em prática os amplos e revolucionários princípios estabelecidos pelos “pais fundadores” do país[18].

Os países são guiados pelo medo de perder o que têm. Esse medo, porém, também se constitui em eficaz instrumento político de controle social, pois sociedades amedrontadas reagem como manadas, se deixando levar por gritos de alerta sobre ameaças. Em nome da redução de uma ameaça, muitas vezes superestimada, lideranças podem agir livremente em busca de outros objetivos ligados à Grande Estratégia, que vão muito além da redução da própria ameaça original. A história da proliferação nuclear desde sua gênese[19] até os dias atuais[20] ilustra de forma bastante clara esse fato.

Os EUA têm cinco objetivos geopolíticos que guiam a sua Grande Estratégia[21]. Observemos que esses objetivos aumentam de magnitude, ambição, e dificuldade à medida que se avança no tempo e no espaço.

A Completa Dominação da América do Norte

Se os EUA tivessem continuado a ser uma nação de estados separados entre a costa do Atlântico e as Montanhas Allegheny, é muito improvável que o país tivesse alcançado algo que se aproximasse à dimensão que hoje tem. Não somente teve que se unir como teve que se espalhar pelo vasto território entre as Montanhas Allegheny e as Montanhas Rochosas. Isso deu aos EUA não somente um grande peso estratégico como também uma das terras agrícolas mais ricas do mundo. Ainda mais importante é o fato dessas terras serem sulcadas por um magnífico sistema de rios navegáveis. Essa dádiva da natureza permitiu que todo excedente agrícola do país pudesse facilmente ser exportado para o mercado mundial, criando aquilo que hoje se denomina “agribusiness”. As excepcionais condições dessa região para a agropecuária foi a grande alavanca inicial para o desenvolvimento econômico dos EUA, que até hoje permanecem como o maior produtor mundial.

A Compra da Luisiana da França em 1803[22] permitiu que os EUA entrassem nessas terras. Mas foi a Batalha de New Orleans em 1814, em que Andrew Jackson derrotou os ingleses, que deu à nação o verdadeiro controle da região[23], visto que New Orleans era o único ponto de estrangulamento de todo o sistema fluvial. Se Yorktown[24] fundou os EUA, a Batalha de New Orleans fundou sua economia. Isso, por sua vez, foi garantido pela Batalha de San Jacinto[25], algumas centenas de quilômetros a oeste de New Orleans, onde o exército mexicano foi derrotado pelos texanos e dessa forma nunca voltaria a representar uma ameaça para a bacia do rio Mississipi. Tampouco a derrota do exército mexicano era inevitável. O México era em vários aspectos um país mais desenvolvido e poderoso do que os EUA à época. Sua derrota, entretanto, fez com que os EUA se tornassem a potência dominante na América do Norte, um país imenso e rico a quem ninguém poderia desafiar[26].

A Eliminação de Ameaças no Hemisfério Ocidental

Tendo a América do Norte ficado protegida, a outra única ameaça imediata era proveniente da América do Sul. Na verdade, a América do Norte e a América do Sul são ilhas, não conectadas de fato: o Panamá e a América Central não podem ser atravessados por grandes exércitos. A unificação da América do Sul numa única entidade é, como sempre foi, uma possibilidade remota, tanto do ponto de vista político como do geográfico. Quando se olha um mapa da América do Sul, é possível depreender que aqui não pode haver poder transcontinental. O continente está cortado em dois por um “corredor de isolamento” contínuo formado por regiões de difícil acesso e ocupação populacional: a Amazônia (direção leste-oeste) e os Andes (direção norte-sul). Portanto, não é plausível para os EUA uma ameaça militar proveniente da América do Sul.

As maiores ameaças no hemisfério provêm de potências europeias com bases navais na América Central e no Caribe, assim como forças terrestres no México. Esse foi o fundamento da Doutrina Monroe[27] (“América para americanos”), que muito antes dos EUA poderem impedir os europeus de terem bases no continente, fez com que o bloqueio dessas iniciativas fosse uma necessidade estratégica.

Os EUA só se preocupam com a região quando percebe que existe alguma possibilidade de uma potência estrangeira vir a ter bases aqui. A história é rica em exemplos de intervenções político-diplomáticas e militares na América Latina[28],[29], especialmente no contexto da Guerra Fria.

Pleno Controle dos Acessos Marítimos para Impedir Qualquer Possibilidade de Invasão

Em 1814, a Marinha Britânica navegou até Chesapeake e incendiou Washington[30]. Durante todo o século XIX, os Estados Unidos tinham pavor que os britânicos, usando o seu controle avassalador do Atlântico Norte, bloqueassem o seu acesso ao oceano, estrangulando os EUA. Esse não era um medo injustificado: os britânicos de fato consideraram essa possibilidade algumas vezes[31]. Esse medo foi, em outro contexto, a origem da obsessão americana com Cuba, desde a Guerra Hispano-Americana até a Guerra Fria[32].

Tendo assegurado o hemisfério no fim do século XIX, os EUA focaram seu interesse em manter as faixas marítimas próximas de seu litoral livres de potências navais estrangeiras. Para isso, protegeram primeiramente os seus acessos pelo Pacífico. Durante a Guerra Civil, o país adquiriu o Alasca em 1867[33]. Em 1898, o Havaí foi anexado[34]. Essas duas medidas tomadas juntas impediram a ameaça ao continente pelo oeste, eliminando qualquer base de apoio para suprir uma esquadra. Note-se que a ameaça japonesa era considerada relevante no final do século XIX e início do século XX.

Com a vitória na Guerra Hispano-Americana em 1898, a anexação de Porto Rico[35] e a independência de Cuba, o acesso Golfo do México e litoral sul dos EUA, onde se encontra o delta do Mississipi, ponto focal do escoamento de sua produção agrícola, foi protegido. Essa vitória ainda trouxe o controle das Filipinas, que reforçou a proteção dos acessos pelo oeste.

Foi bastante marcante à época a excepcional demonstração de força feita pela viagem de circunavegação da Great White Fleet[36] (16 de dezembro de 1907 a 22 de fevereiro de 1909).

Nesse contexto, ocorre a secessão do Panamá da Colômbia e a construção do canal (1904 – 1914)[37] e o seu consequente controle, que permanece até hoje, vital não só para o comércio interno e externo mas também para passagem de forças navais dos EUA entre as costas do Atlântico e Pacífico.

Os EUA protegeram finalmente seu litoral leste, no Atlântico, usando a Segunda Guerra Mundial para se aproveitar da fraqueza britânica, tirando-a de perto da costa americana, pela criação de uma esquadra de um poder tão grande que nenhuma marinha do mundo poderia mais operar na parte ocidental do Atlântico Norte sem a aprovação dos EUA. Com isso se tornaram, de fato, efetivamente invulneráveis a uma invasão.

Dominação Completa dos Oceanos para Garantir o Controle sobre o Comércio Internacional

O fato de os EUA emergirem da Segunda Guerra Mundial não somente com a maior marinha do mundo, mas também com bases navais espalhadas por todos os mares e, posteriormente, com a monitoração por satélite de toda a superfície do planeta, com cada vez maior resolução, mudou a forma de funcionamento do mundo. Qualquer embarcação de alto-mar, comercial ou militar, do Golfo Pérsico ao Mar da China do Sul ao Caribe, passou a poder ser permanentemente monitorada pela Marinha dos EUA, que podia decidir entre observá-la, pará-la, ou afundá-la.

A partir do fim da Segunda Guerra Mundial, o peso combinado de todas as esquadras existentes do mundo era insignificante comparado ao poder naval americano. Isto evidencia um fato único da geopolítica mundial, talvez o mais importante: o controle e a liberdade de movimentação dos EUA em todos os oceanos. Nenhuma outra potência na história foi capaz de fazer isso.

O controle e liberdade de movimentação da marinha dos EUA em todos os oceanos são não somente a base da segurança americana, mas também a base da sua capacidade de moldar o sistema internacional. Ninguém vai a lugar algum nos mares se os EUA não aprovarem. No fim das contas, manter o controle dos oceanos do mundo é hoje o objetivo mais importante para os EUA geopoliticamente[38].

A estratégia naval emprega navios, submarinos e aeronaves fundamentalmente para[39]:

  • controlar área marítima, para usá-la em proveito próprio;
  • impedir ou dificultar (no linguajar profissional, negar) o uso, pelo adversário, de área marítima, cujo controle ou não pode ser exercido (por falta de capacidade) ou não precisa sê-lo (por ausência de interesse); e
  • projetar poder sobre terra, realizando bombardeio naval e aeronaval e o desembarque anfíbio; a essas formas tradicionais de projeção foi acrescido o lançamento, por submarinos, de mísseis balísticos com ogivas nucleares.

Isso explica porque a estratégia naval soviética do pós-guerra[40], arquitetada pelo Almirante Gorshkov‎[41], privilegiou os submarinos de ataque e aviação naval de longo alcance baseada em terra. Esses são únicos meios capazes de escapar do quase absoluto controle americano dos mares. Também concebeu os submarinos lançadores de mísseis balísticos, inicialmente convencionais e depois nucleares, pois era o único meio para projetar poder sobre terra devido à enorme superioridade das forças de superfície americanas no pós-guerra, que continua até o presente.

Restava aos soviéticos apenas a possibilidade de negar o uso irrestrito do mar, dificultando o estabelecimento de um efetivo controle, e projetar poder por meio de mísseis lançados por submarinos, já que dificilmente conseguiriam obter controle de áreas marítimas que permitissem realizar bombardeio naval e aeronaval e desembarque anfíbio.

A Impossibilidade de qualquer outra nação enfrentar o poderio naval americano global

Tendo conseguido o feito sem precedentes de dominar todos os oceanos do mundo, os EUA obviamente querem mantê-lo. A forma mais simples de fazer isso tem sido evitar que outras nações construíssem forças navais importantes, e isso podia ser feito assegurando-se de que ninguém tivesse a motivação de construí-las ou tivesse recursos para tanto. Uma estratégia, “a cenoura”, é ter certeza de que todo mundo tem acesso ao mar sem precisar construir uma força naval. A outra estratégia, “o porrete”, é manter possíveis inimigos em confrontos terrestres para que sejam forçados a exaurir os seus recursos militares em tropas, tanques e aeronaves, tendo poucos recursos para suas forças navais.

Nesse sentido, conforme já tinha visualizado o Almirante Gorshkov no pós-guerra, a proliferação de submarinos[42], em especial aqueles de propulsão nuclear[43] continuam sendo a maior ameaça ao controle e liberdade de movimentação da marinha dos EUA em todos os oceanos.

Os EUA emergiram da Guerra Fria tanto com um novo interesse quanto com um objetivo fixo[44]: evitar que qualquer potência da Eurásia se tornasse suficientemente segura e pudesse dirigir os seus recursos para a construção de um poder naval importante. Com a queda da URSS não havia mais uma ameaça única de hegemonia eurasiana. Os EUA se concentraram então em evitar a emergência de hegemonias secundárias que poderiam desenvolver segurança regional suficiente para disputar o controle de áreas marítimas de seu interesse. Por conseguinte, os Estados Unidos trabalharam para criar continuamente uma série variável de alianças, muitas vezes contraditórias, mas concebidas para restringir qualquer hegemonia regional possível.

Os EUA tinham que estar preparados para intervenções imprevisíveis por todo o território eurasiano. Com o processo de dissolução da URSS, o país começou a lançar uma série de operações concebidas para manter o equilíbrio regional e bloquear o surgimento de uma potência local. A Guerra Irã-Iraque[45] é um clássico exemplo de como se pode realizar tal tipo de bloqueio simultaneamente a dois aspirantes à potência regional sem necessidade de intervenção militar direta.

A primeira maior intervenção foi no Kuait, onde os EUA inibiram ambições iraquianas à época em que a União Soviética se esfacelava. A próxima foi na Iugoslávia, com o objetivo de impedir a emergência da hegemonia sérvia nos Bálcãs. A terceira série de intervenções foi no mundo islâmico, concebida para impedir o desejo da Al-Qaeda (ou de qualquer outro) de criar um império islâmico. As intervenções no Afeganistão[46] e no Iraque[47] fazem parte desse esforço.

Apesar de todo o alvoroço, essas foram questões menores. No Iraque, a maior operação, os EUA usaram menos de 200.000 soldados e tiveram menos de 5.000 mortos. Isso representa cerca de 6 a 8% das perdas sofridas no Vietnam, e cerca de 1% das perdas da Segunda Guerra Mundial[48]. Para um país de mais de um quarto de bilhão de pessoas, uma força de ocupação dessa dimensão é insignificante.

Mackinder, Mahan e Spykman

Deixando a retórica de lado, os EUA não têm prioritariamente interesse que Eurásia esteja em paz. Tampouco têm interesse em ganhar guerras imediatamente. Como no Vietnam e na Coreia, o objetivo desses conflitos é simplesmente impedir a ascensão de uma potência ou desestabilizar uma região, não impor a ordem. No tempo devido, mesmo uma derrota seria aceitável, desde que esse objetivo fosse atingido.

Os formuladores americanos de políticas aprenderam com a experiência da Segunda Guerra Mundial que nunca mais poderiam permitir que um Estado ou uma coalizão de Estados hostil ganhasse controle preponderante sobre as populações, os territórios e os recursos da Europa e da Ásia Oriental. Essa foi a base da estratégia de contenção da URSS durante a Guerra Fria[49], derivada da visão de Mackinder[50].

Mackinder foi um geógrafo e geopolítico inglês. Em 1904, publicou o artigo The Geographical Pivot of History[51], onde formulou a Teoria da Terra Central (Heartland), que influencia a política externa das potências mundiais desde então, em especial a dos EUA no pós-guerra. O artigo sugere que o controle da Europa do Leste seria vital para o controle do mundo. Ele formulou sua hipótese como: “Who rules East Europe commands the Heartland; Who rules the Heartland commands the World-Island; Who rules the World-Island commands the world”. Seus seguidores alemães muito influenciaram a estratégia nazista da Segunda Guerra Mundial[52].

As “terras centrais” eurasianas figuram como o maior troféu estratégico-econômico mundial. Sua combinação de ricos recursos naturais, infraestrutura industrial avançada, mão de obra qualificada e instalações militares sofisticadas a tornam o fulcro do poder mundial, como os acontecimentos de 1940-1941 deixaram dolorosamente claro. Se tal eventualidade vier a acontecer de novo, o sistema internacional seria mais uma vez gravemente desestabilizado, o equilíbrio do poder mundial alterado e a segurança física dos EUA submetida a graves riscos.

Os EUA, entretanto, não têm como objetivo dominar as “terras centrais”, mas impedir que alguém venha outra vez a dominá-las, daí a contenção da URSS durante a Guerra Fria. O princípio de usar uma força mínima somente quando for absolutamente necessário para manter o equilíbrio de poder da Eurásia é, e permanecerá sendo, a força motriz da política externa americana ao longo de todo o século XXI.

Haverá outras intervenções militares em lugares e momentos imprevistos. As ações americanas parecerão irracionais e assim seriam caso o objetivo principal fosse estabilizar uma região. Contudo, visto que o seu objetivo principal tem mais probabilidade de ser simplesmente impedir ou desestabilizar poderes emergentes, as intervenções serão bastante racionais. Nunca parecerá que farão qualquer coisa que possa se aproximar de uma “solução” e isso sempre será feito com força insuficiente para ser decisivo.

À vertente de “negação” do controle das “terras centrais” se soma a vertente de “afirmação” do controle e liberdade total de movimentação nos oceanos.

A grande estratégia americana é também fortemente centrada no pensamento estratégico de Mahan sobre o poder marítimo. Seus trabalhos, realizados a partir de finais do século XIX, influenciaram diretamente, e seguem influenciando indiretamente, gerações sucessivas de políticos e militares nos EUA e em todo o mundo[53].

Mahan era um homem profundamente convicto da importância perene da guerra no mar, quaisquer que fossem as mudanças proporcionadas pelas novas tecnologias ou viabilizadas pelas novas táticas. Nestas circunstâncias, considerava que o poder marítimo era decisivo na centralidade e grandeza das nações.

Seu conceito de poder marítimo implicava possuir uma grande força naval, destinada a alcançar o controle do mar, que impediria outros países de interferir ou ameaçar o seu comércio. O controle do mar era alcançado pela concentração e emprego da esquadra de combate na batalha decisiva. A operação da esquadra de combate durante longos períodos, requeria a posse de bases navais em regiões estrategicamente relevantes. Como complemento à hipótese de Mackinder, pode-se parafrasear o que seria hipótese de Mahan[54]: “Who rules the World-Sea commands the world”.

A integração da “negação” de Mackinder com a “afirmação” de Mahan é feita pela teoria da fímbrias (rimland) de Nicholas J. Spykman[55]. Para ele, quem tem o poder mundial não é quem controla diretamente a heartland, mas quem é capaz de cercá-la, e para isso o poder marítimo de Mahan, é fundamental[56].

Conclusão

Os EUA têm cinco objetivos geopolíticos que guiam a sua Grande Estratégia:

  • a completa dominação da América do Norte pelo seu Exército, fato incontestável desde o final do século XIX e pouco plausível de ser desafiado;
  • a eliminação de qualquer ameaça vinda de qualquer potência no Hemisfério Ocidental, sendo as mais plausíveis provenientes de bases navais de potências do outro hemisfério na América Central e no Caribe;
  • pleno controle dos acessos marítimos ao seu território pela US Navy, de forma a impedir qualquer possibilidade de ataque, bloqueio ou invasão;
  • dominação completa dos oceanos do mundo para proteger ainda mais a segurança física de seu território e garantir o controle sobre o sistema de comércio internacional;
  • a impossibilidade de qualquer outra nação enfrentar o poderio naval americano global, garantindo total liberdade de movimentação nos oceanos, o que permite ações de presença e intervenções militares em qualquer lugar do mundo.

A segmentação da Grande Estratégia dos EUA nesses cinco objetivos constitui o fundamento das ações para alcançar os Interesses Nacionais Permanentes do país, como apresentados por Donald Nuechterlein[57]:

  • defesa do território;
  • bem-estar econômico e promoção dos produtos estadunidenses no exterior;
  • promoção no exterior dos valores dos EUA;
  • criação de uma ordem mundial favorável (ambiente internacional seguro).

Tendo alcançado sistematicamente os seus objetivos estratégicos, os EUA tem o objetivo último de evitar a emergência de qualquer potência que possa ameaçar seu controle e liberdade nos mares, conforme Mahan, e que possa dominar sozinha ou formar uma coalizão que venha a controlar partes significativas das “terras centrais” de Mackinder.

O paradoxo, entretanto, reside no fato de que o objetivo das intervenções militares dos EUA que de tempos em tempos ocorrem, as últimas sob a égide da “Guerra ao Terror”[58], nunca são para atingir algo, independentemente do que a retórica política possa dizer, mas para evitar algo. Os EUA querem evitar estabilidade em áreas em que uma potência regional possa surgir e ameaçar seus eixos estratégicos de Mahan e Mackinder. O objetivo não é, em geral, estabilizar, mas desestabilizar, impedindo que o uso do mar lhe seja negado ou que um Estado ou uma coalizão de Estados hostil possa vir a ter controle preponderante sobre populações, territórios e recursos da Eurásia.

Em casos mais críticos, como a reação imediata aos ataques do terrorismo islâmico, o poder militar é exercido na sua plenitude, com seus altos custos humanos e financeiros. Em outros casos, porém, o uso do soft power[59] é menos oneroso e, eventualmente, mais efetivo.

No mundo em rede atual, onde as informações e a comunicação ocorrem num volume e velocidade nunca antes visto na história, ações de inteligência realizadas por agentes locais ou infiltrados bem treinados e orientados tem enorme poder de desestabilização do sistema político e econômico de um país, impedindo sua emergência como uma ameaça aos eixos estratégicos básicos dos EUA. Para isso, a estrutura conceitual[60] da teoria da resistência não violenta, da qual Gene Sharp é o maior expoente[61] torna-se uma ferramenta útil. Os movimentos de protestos que vem eclodindo em diversos locais do mundo nesta segunda década do século XXI não devem estar alheios a esse fato.

A Grande Estratégia não é algo particular aos EUA. A diferença está no fato de que talvez esse país tenha sido aquele que colocou seus legítimos objetivos com máxima amplitude e os perseguiu ininterruptamente desde o final do século XVIII, tendo-os alcançado plenamente ao final do século XX. O desafio que se coloca para os EUA no século XXI é manter o que foi conquistado, impedindo o surgimento de ameaças que possam vir a desafiar sua dominação completa dos oceanos e o consequente controle que têm sobre o comércio internacional.

Desde o célebre livro de Paul Kennedy[62], muito se teoriza sobre um suposto “declínio do império americano”. A experiência histórica mostra, entretanto, que a continuidade e resiliência dos EUA na busca de seus objetivos, o atual sempre complementando e consolidando o anterior, torna essa possibilidade distante no tempo.

O objetivo estratégico atual de impossibilitar qualquer outra nação enfrentar o poderio naval americano global é o corolário necessário do objetivo anterior, de dominação completa dos oceanos para garantir o controle sobre o comércio internacional. A tática de desestabilização usada para atingir o objetivo atual poderá ser modificada caso os resultados não continuarem a ser exitosos ou poderá ser estabelecido outro objetivo, prolongando dessa forma o ciclo.

Vivemos, entretanto, num mundo de incertezas que nos colocam enormes desafios globais[63], como a demografia, mudança climática, segurança energética, e o renascimento de uma certa “irracionalidade filosófica” cujos exemplos típicos são o fundamentalismo religioso e o fanatismo político, se apresentando como a única fonte de certeza, e aquilo que podemos chamar de “lado negro” da globalização, dos quais desigualdades, crises financeiras, terrorismo e pandemias são alguns de seus aspectos.

A resposta da Grande Estratégia dos países a esses desafios, em especial dos EUA, como inconteste hegemon, determinará o futuro que será construído pelas atuais gerações.

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[1] Encyclopédie Larousse en ligne,http://www.larousse.fr/encyclopedie/personnage/Georges_Clemenceau/113797

[2]Interdisciplinary Program of Duke University on American Grand Strategy”, http://sites.duke.edu/agsp/

[3] Moniz Bandeira, L.A. Formação do Império Americano – da Guerra contra a Espanha à Guerra no Iraque, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2005

[4] American Revolutionary War, http://en.wikipedia.org/wiki/American_Revolutionary_War

[5] War of 1812, http://en.wikipedia.org/wiki/War_of_1812

[6] Nas palavras do Presidente Theodore Roosevelt,“All the great masterful races have been fighting races, and the minute that a race loses the hard fighting virtues it has lost its proud right to stand as the equal to the best.”, http://en.wikipedia.org/wiki/Theodore_Roosevelthttp://www.va.gov/opa/publications/factsheets/fs_americas_wars.pdf

[7] America’s Wars, Department of Veterans Affairs, Office of Public Affairs. Washington, DC 20420, January 2013,http://www.va.gov/opa/publications/factsheets/fs_americas_wars.pdf

[8] Mexican–American War,http://en.wikipedia.org/wiki/Mexican%E2%80%93American_War

[9] American Civil War, http://en.wikipedia.org/wiki/American_Civil_War

[10] United States in World War I http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_in_World_War_I

[11] Military history of the United States during World War II, http://en.wikipedia.org/wiki/Military_history_of_the_United_States_during_World_War_II

[12] United States in the Korean War, http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_in_the_Korean_War

[13] Role of the United States in the Vietnam War, http://en.wikipedia.org/wiki/Role_of_the_United_States_in_the_Vietnam_War

[14] Spanish–American War, http://en.wikipedia.org/wiki/Spanish%E2%80%93American_War

[15] Gulf War, http://en.wikipedia.org/wiki/Gulf_War

[16] Guerra da independência do Brasil, http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_independ%C3%AAncia_do_Brasil

[17] Entretanto, o historiador norte-americano Robert Scheina, na sua obra Latin America’s Wars Volume I: The Age of the Caudillo, 1791-1899 (http://www.amazon.com/Latin-Americas-Wars-Volume-1791-1899/dp/1574884492), sustenta que há uma tendência em se minimizar a crueza dos conflitos latino-americanos da época em função do número de baixas observadas, em comparação com as dos conflitos da América do Norte. Como as populações eram menores, tais eventos percentualmente eram, porém muito significativos.

[18] Founding Fathers of the United States, http://en.wikipedia.org/wiki/Founding_Fathers_of_the_United_States

[19] A (Contra) Ameaça Nuclear, http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/4179/a-(contra)-ameaca-nuclear

[20] O Alarmismo Nuclear, http://www.academia.edu/4163821/O_Alarmismo_Nuclear

[21] Friedman, George, The Next 100 years, Doubleday, New York, 2009, disponível em http://www.fd.unl.pt/docentes_docs/ma/amg_MA_11180.pdf

[22] Stief, Colin, The Louisiana Purchase, http://geography.about.com/od/historyofgeography/a/louisianapurcha.htm

[23] Battle of New Orleans, http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_New_Orleans

[24] Siege of Yorktown, http://en.wikipedia.org/wiki/Siege_of_Yorktown

[25] Battle of San Jacinto, http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_San_Jacinto

[26] Essa visão é o fundamento do conceito de “destino manifesto” surgida nos EUA do século XIX (http://en.wikipedia.org/wiki/Manifest_destiny)

[27] Monroe Doctrine, http://en.wikipedia.org/wiki/Monroe_Doctrine

[28] Latin America–United States relations, http://en.wikipedia.org/wiki/Latin_America%E2%80%93United_States_relations

[29] Os capítulos iniciais de Moniz Bandeira, L. A., Conflito e Integração na América do Sul – Brasil, Argentina e Estados Unidos – da Tríplice Aliança ao Mercosul 1870-2003, Editora Revan, Rio de Janeiro, 2003, tratam desse tema.

[30] Burning of Washington, http://en.wikipedia.org/wiki/Burning_of_Washington

[31] Blockade runners of the American Civil War, http://en.wikipedia.org/wiki/Blockade_runners_of_the_American_Civil_War

[32] Cuba–United States relations, http://en.wikipedia.org/wiki/Cuba%E2%80%93United_States_relations

[33] Alaska Purchase, http://en.wikipedia.org/wiki/Alaska_Purchase

[34] Annexation of Hawaii, 1898, http://history.state.gov/milestones/1866-1898/hawaii

[35] Puerto Rico, http://en.wikipedia.org/wiki/Puerto_Rico#United_States_colony

[36] Great White Fleet, http://en.wikipedia.org/wiki/Great_White_Fleet

[37] Panama Canal, http://en.wikipedia.org/wiki/Panama_Canal

[38] Russell, Greg, Alfred Thayer Mahan and American Geopolitics: The Conservatism and Realism of an Imperialist, http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/14650040500524137#.UvgFZPldXao

[39] Submarino de Propulsão Nuclear, http://www.submarinosdobr.com.br/SubPropNuc.htm

[40] MccGwire, Michael, Naval Power and Soviet Global Strategy, International Security Vol. 3, No. 4 (Spring, 1979), pp. 134-189, disponível em http://www.jstor.org/discover/10.2307/2626766

[41] Sergey Gorshkov, http://en.wikipedia.org/wiki/Sergey_Gorshkov

[42] Submarine Proliferation Resource Collection, http://www.nti.org/analysis/reports/submarine-proliferation-overview/

[43] Nuclear submarines in Third World: a proliferation issue ?, http://www.faap.br/revista_faap/rel_internacionais/nuclear.htm

[44] Visões americanas da ordem pós-guerra, in Robert J. MacMahon, Guerra Fria, Tradução de Rosaura Eichenberg, L&PM Pocket, Rio de Janeiro, 2012, pás 14-15, disponível em http://www.lpm.com.br/livros/Imagens/guerra_fria_encyclopaedia_trecho.pdf

[45] Iran–Iraq War, http://en.wikipedia.org/wiki/Iran%E2%80%93Iraq_War

[46] War in Afghanistan (2001–present), http://en.wikipedia.org/wiki/War_in_Afghanistan_(2001%E2%80%93present)

[47] 2003 invasion of Iraq, http://en.wikipedia.org/wiki/2003_invasion_of_Iraq

[48] Vide nota 9

[49] Vide nota 24

[50] Halford Mackinder, http://en.wikipedia.org/wiki/Halford_Mackinder

[51]A Aliança da Geografia com a Políticahttps://www.academia.edu/6033808/A_ALIANCA_DA_GEOGRAFIA_COM_A_POLITICA

[52] Wesley de Souza Arcassa, Paulo Fernando Cirino Mourão, Karl Haushofer: a Geopolitik Alemã e o III Reich, Revista Geografia em Atos, Departamento de Geografia da FCT/UNESP, Presidente Prudente, n. 11, v.1, janeiro a junho de 2011, p. 1-14, disponível em http://revista.fct.unesp.br/index.php/geografiaematos/article/viewFile/249/arcassa

[53] A principal obra de Mahan é The Influence of Sea Power Upon History, 1660-1783, disponível emhttp://www.gutenberg.org/files/13529/13529-h/13529-h.htm

[54] Ribeiro, António Silva, Mahan e as marinhas como instrumento político, http://www.revistamilitar.pt/artigo.php?art_id=569

[55] Nicholas J. Spykman, http://en.wikipedia.org/wiki/Nicholas_J._Spykman

[56] Essa abordagem é resumida no artigo “Novas teorias sobre poder mundial”, do General Meira Mattos, publicado na Folha de São Paulo de 11 de março de 2005. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1103200509.htm

[57] NUECHTERLEIN, Donald. America Recommitted: United States National Interests in a Reconstruction World, in Security and Force Planning (Capítulo 7). Second Edition. Naval War College, Newport, EUA. 1997. Página 97, Disponível em http://www.donaldnuechterlein.com/

[58] War on Terror, by Anup Shah, Last Updated October 07, 2013, http://www.globalissues.org/issue/245/war-on-terror#ResultingWaronTerror

[59] Guilherme Mattos de Abreu, Reflexões Sobre o “Soft Power”, Revista da Escola de Guerra Naval. – v. 19, jun. 2013. – Rio de Janeiro. p. 203 – 244. http://www.egn.mar.mil.br/arquivos/revistaEgn/pagina_revista/n19/_edicao19_1.pdf .

[60] Gene Sharp, Da Ditadura à Democracia – Uma Estrutura Conceitual para a Libertação, The Albert Einstein Institution, Quarta Edição, Maio de 2010, East Boston, MA 02128, EUA, http://bibliot3ca.files.wordpress.com/2011/03/da-ditadura-a-democracia-gene-sharp2.pdf

[61] Gene Sharp, http://en.wikipedia.org/wiki/Gene_Sharp

[62] A Ascensão e a Queda das Grandes Potências, Editora Campus, 1989

[63] Towards a Grand Strategy for an Uncertain World, Noaber Foundation, 2007, http://csis.org/files/media/csis/events/080110_grand_strategy.pdf

O Brasil nas mídias sociais

Nas vilas do Pará , nas profundezas da floresta amazônica, a água tratada é um luxo e estradas pavimentadas são poucas e muito distantes entre si. O Facebook, no entanto, é uma realidade muito perto. Um dado expressivo dessa realidade surge com o fato de que no início do ano ficou demonstrado o quanto as redes sociais tornaram-se o canal escolhido até mesmo para que grupos indígenas que lutam contra a construção da usina hidrelétrica ao longo do rio Xingu desabafassem suas frustrações. Ou seja, como a mídia social é um instrumento essencial para todos os grupos sociais. O “Xingu Vivo” – página no Facebook, registrou suas queixas contra o projeto, mantendo os ativistas da luta a par dos acontecimentos, bem como das suas posições.

Hoje, em tempos de ilusão de que não há censura no país, a mídia social é uma instituição excepcionalmente democrática no Brasil. Enquanto o país ainda preserva uma notória, expressiva e profunda divisão entre ricos e pobres, os telefones móveis conseguem dar às comunidades urbanas carentes e até mesmo nas remotas áreas rurais o acesso a sites de redes sociais. Além disso, o potencial de crescimento desse setor continua forte, tendo em vista haver apenas 23% desse público utilizando smartphones e as quatro maiores operadoras do país lançaram o mais moderno serviço de 4G apenas no início do verão do ano passado (2012), ou seja, perto de dezembro.

O Brasil já conta com mais de 65 milhões de usuários do Facebook, perdendo apenas para os EUA, sendo também vice-líder no consumo do Twitter (com 41,2 milhões de tweeters) e o maior mercado fora os EUA do YouTube.  Assim, no país mais populoso da “América do Sul”, o Brasil, também emergem as mídias sociais. Setenta e nove por cento dos usuários de Internet no Brasil (cerca de 78 milhões de pessoas) estão agora em mídias sociais, de acordo com um relatório de analistas eMarketer, com as taxas de adesão se aproximando rapidamente as dos EUA.

Ao que tudo indica, o Brasil está apenas ajustando suas passadas. O tempo médio gasto no Facebook entre os brasileiros aumentou 208 por cento no ano passado, indo para 535 minutos por mês. Em comparação, o uso global diminuiu 2 por cento durante o mesmo período no mundo. Dessa forma, com a saturação de mídia social nos EUA e na Europa e com os chineses restritos por seu grande Firewall (sem acesso legal ao Twitter e Facebook), com Índia ainda relativamente em estágios iniciais da revolução da Internet, o Brasil, entre os BRICS, aparece como a capital de “social media”.

O governo, através dos recentes planos, tem liderado um esforço progressivo para ampliar o acesso à Internet em todo o país, resultado este expressado pelos quase 100 milhões de brasileiros com acesso a internet. Nesta toada, estima-se que até 80 por cento da população terá acesso à Internet em 2016. Curiosamente, a maior parte do tempo on-line do brasileiro (36%) é gasto em mídias sociais.

A publicidade digital, no entanto, permanece em sua infância no Brasil, sendo apenas 10% do mercado de publicidade, enquanto no resto do mundo abrange 20%. As grandes marcas já se atentaram a esse fato e têm lançado campanhas agressivas no Facebook para capitalizar sobre a influência das mídias sociais, acumulando alguns milhões de seguidores poucos meses. Isso reforça a previsão de que o país deverá aumentar os gastos com anúncios em mídias sociais em US $ 5,6 bilhões no próximos três anos, mais do que a Índia , a Rússia ou a Indonésia por exemplo.

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.mc.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-banda-larga-pnbl/municipios-atendidos

 

Somália: qual o futuro do al-Shabab?

No dia 21 de setembro de 2013, homens armados invadiram e tomaram o complexo comercial de Westgate, localizado na capital queniana, Nairóbi[1], e amplamente frequentado por ocidentais. O ataque foi rapidamente assumido pelo grupo islâmico radical somali al-Shabab (cujo significado aproxima-se de “A Juventude”), e a sofisticação do feito teria chamado a atenção de especialistas[2]. Além de terem amplo conhecimento das estruturas físicas do shopping, os militantes utilizaram redes sociais para transmitir seus objetivos, narrar a ação dentro do complexo e para deixar claro que seus alvos seriam apenas os não muçulmanos. Esta não é a primeira vez que os conflitos na Somália possuem repercussões trágicas para os países africanos cujas tropas se encontram em solo somali*. No entanto, esta nova ação é estrategicamente significativa pois reflete alterações recentes nas dinâmicas internas da Somália, do Shabab e da própria região do chamado “Chifre da África” – nordeste do continente.

Em 1991, a derrubada do ditador Siad Barre mergulhou a Somália no caos e na anarquia. Ao longo da década seguinte, suas instituições políticas e sua economia foram paulatinamente implodidas, com clãs e chefes de guerra rivais disputando o controle da capital Mogadíscio, conflito reproduzido por praticamente todas as regiões do país**. A instabilidade e a falta de governança levaram à pobreza e a uma grave crise de alimentos no país, com boa parte de sua agricultura sendo destruída. Milhares de somalis abandonaram suas casas, tornando-se deslocados internos ou refugiados em países como Quênia e Iêmen [3]. Aproveitando-se da situação caótica, grupos radicais se estabeleceram e se fortaleceram na Somália, país de população majoritariamente muçulmana sunita.

Nesse contexto, surgiu o grupo extremista “salafista” denominado “Unidade do Islã” (AIAI), formado por jovens somalis educados no “Oriente Médio”, cujo objetivo era o estabelecimento de um emirado islâmico no país. A AIAI é apontada por analistas como sendo a precursora do atual Shabab, já que muitos de seus líderes fizeram parte da organização. É importante ressaltar, entretanto, a agenda prioritariamente nacional do grupo, embora existissem laços econômicos com a al-Qaeda e muitos de seus membros tenham combatido no Afeganistão no início dos anos 2000[4].

Em 2003, lideranças da AIAI optaram pela formação de uma ala política, gerando o rompimento com a ala mais jovem e radical. O grupo dissidente aliou-se, então, à chamada “União de Cortes Islâmicas” (UCI), com a qual compartilhava a visão de um Estado islâmico somali, desempenhando o papel de braço armado da UCI na luta pela conquista do país.

Paralelamente, no ano de 2004, formou-se no exílio o “Governo Federal de Transição” (GFT) somali, composto por líderes dos principais clãs do país e apoiado pela “Organização das Nações Unidas” (ONU), pelos “Estados Unidos” e por países africanos como o Quênia e a Etiópia. Entre seus principais objetivos estavam a elaboração de uma nova Constituição e a realização de eleições nacionais, regionais e locais. O GFT funcionaria a partir de Nairóbi, já que a questão securitária e os avanços da UCI impediam seu estabelecimento em território Somali. Em junho de 2006, após mais de três anos de conflitos, o grupo islâmico venceu a coalizão apoiada pelo GFT e seus parceiros, formada basicamente por senhores de guerra e milícias, estabelecendo um governo muçulmano com significativo apoio popular[5].

O governo da Etiópia, no entanto, interpretou a vitória da UCI como uma ameaça à sua segurança e a seus interesses. As autoridades de Addis Abeba enviaram suas forças armadas para intervir na Somália, apoiadas em termos de logística e materiais pelos “Estados Unidos”. No mês de dezembro de 2006, suas tropas tomaram Mogadíscio sem enfrentar grande resistência, permitindo o estabelecimento do Governo Federal de Transição somali na capital do país. Em janeiro seguinte, o “Conselho de Paz e Segurança da União Africana” autorizou a formação da “Missão da União Africana para a Somália” (AMISOM), inicialmente formada por tropas de Uganda, Burundi, “Serra Leoa” e Djibuti, com a missão de apoiar o GFT e contribuir para a pacificação do país[6].

Analistas indicam que a intervenção estrangeira foi crucial para a galvanização do Shabab em um grupo autônomo e a sua passagem de uma organização formada por algumas centenas de combatentes para um grupo organizado e bem financiado, com milhares de insurgentes[7]. A percepção da população de que o exército etíope e a própria AMISOM seriam forças invasoras e de que o GFT seria corrupto e protetor de interesses estrangeiros garantiu apoio inicial ao Shabab.

O grupo aproveitou para aliar-se a líderes de clãs em diversas regiões da Somália, estabelecendo ao longo dos anos seguintes seu controle sobre boa parte do sul e do centro do país e impondo sua interpretação radical da sharia***. Em 2009, após a retirada do exército etíope, o Shabab retornou a Mogadíscio, deixando a cidade dividida por uma linha de batalha entre as áreas controladas pelos insurgentes e as sob domínio da AMISOM, com o GFT sendo capaz de estabelecer sua autoridade apenas sobre alguns bairros da cidade.

A partir de 2006, o Shabab estabeleceu redes de financiamento que passaram a lhe render milhões de dólares ao ano. Cobrança de impostos de pequenos comércios nas áreas sob seu controle, taxações sobre as atividades portuárias em Kismayo e Mogadíscio, exportação de carvão[8], importação de açúcar posteriormente contrabandeado e vendido no Quênia, sequestros e pedidos de resgate e pirataria seriam algumas das atividades levadas a cabo pelo grupo. Além do mais, o controle dos insurgentes sobre a atividade portuária permitiria o recebimento de armamentos e suprimentos fornecidos por apoiadores estrangeiros. Países como Síria, “Arábia Saudita”, Eritréia, Qatar, Irã e Iêmen já foram apontados como possíveis apoiadores[9].

Apesar de sua significativa rede de financiamento, o Shabab retirou-se de Mogadíscio em agosto de 2011 após o endurecimento dos combates com a AMISOM. Em outubro do mesmo ano, tropas do Quênia invadiram o sul da Somália em perseguição aos insurgentes radicais, que haviam realizado sequestros de turistas ocidentais na fronteira entre os dois países. Planejada havia tempos[10], a ação colocou pressão sobre o Shabab, com a Etiópia também enviando seu exército para o território vizinho. Fortalecida, especialmente após incorporar as forças quenianas em território somali, a AMISOM iniciou uma ofensiva conjunta com o “Exército somali”, formado por milícias aliadas ao “Governo Federal de Transição”. O Shabab foi expulso de diversas cidades importantes, culminando na retomada de Kismayo, principal fonte de financiamento dos radicais, em outubro de 2012[11].

A melhora na situação securitária do país permitiu, ainda em 2012, a elaboração de uma Constituição transitória, a formação de um novo Parlamento e a eleição do presidente Hassan Cheikh Mohamoud, que indicou Abdi Farah Shirdon como primeiro-ministro responsável por constituir o primeiro governo de fato do país desde o início da década de 1990. Assim, nos últimos anos, a Somália obteve avanços significativos rumo à sua estabilização. Mogadíscio está em reconstrução, e o novo governo busca agora consolidar as conquistas obtidas. Porém, os desafios ainda são grandes, requerendo a recuperação econômica****, o estabelecimento de sua autoridade pela totalidade do país*****, a entrega de serviços básicos para toda a população, a formação de uma justiça e de forças policiais e militares sólidas e o estabelecimento de um diálogo de reconciliação que conduza à unidade nacional[12]. O novo governo tem como metas a formulação de uma Constituição definitiva e a realização de eleições nacionais até o ano de 2016.

Todavia, o Shabab permanece como uma ameaça significativa. Evitando combates diretos com as tropas da AMISOM e as forças somalis, o grupo conseguiu manter intactas sua capacidade operacional, cadeia de comando e disciplina. Retirar-se de cidades como Mogadíscio e Kismayo teria sido uma escolha estratégica do grupo que, apesar de ter sofrido cortes expressivos em suas redes de financiamento, possuiria armamentos estocados no sul e no centro da Somália, em grande medida ainda sob seu controle. O Shabab teria passado de uma força semelhante a um exército, capaz de controlar extensas porções de território, para uma rede descentralizada e clandestina[13], voltada para a realização de ataques como ao complexo de Westgate ou à sede do “Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento” (PNUD) em Mogadíscio, no mês de junho de 2013[14].

Mais significativa ainda é a aparente mudança no foco do Shabab. Nos últimos meses, conflitos teriam ocorrido dentro do grupo, opondo uma ala nacionalista, defensora de uma atuação voltada para objetivos dentro da Somália, e outra ala dotada de uma agenda internacional jihadistas[15]. As divergências teriam se iniciado com o anúncio de laços com a al-Qaeda, em fevereiro de 2012, e culminaram na vitória dos radicais jihadistas. Aliados de seu líder, Ahmed Abdi Godane, teriam matado um dos cofundadores do grupo, Ibrahim al-Afghani, e forçado outras lideranças dissidentes a fugir[16]. Nesse sentido, os laços internacionais do grupo se expandem. Antes formado em grande medida por somalis, o Shabab possui há alguns anos uma rede de recrutamento de jovens muçulmanos no Quênia, aproveitando-se das altas taxas de desemprego e pobreza entre os jovens, do recrudescimento do sectarismo no país vizinho e da corrupção em seu governo[17]. Membros da “diáspora somali”, vivendo em países como os Estados Unidos, já foram recrutados pelo grupo para a participação em atentados. Da mesma forma, indícios apontam para a existência de laços entre o Shabab e organizações como o “Boko Haram” e “al-Qaeda no Magreb Islâmico[18].

Caso o novo governo somali seja bem sucedido frente aos grandes desafios que lhe são impostos, é possível que o Shabab se distancie cada vez mais de objetivos na Somália e se comprometa ainda mais com o jihad internacional. Logo, os diálogos de unidade nacional são de grande importância, já que podem gerar o rompimento definitivo entre os líderes de clãs somalis, em certa medida percebidos como legítimos pela população e, portanto, com um papel a desempenhar na reconstrução do país, e a vertente internacionalista no grupo.

De acordo com analistas, essa separação poderia até mesmo tornar a Somália um ambiente inóspito para o grupo de Ahmed Godane, forçando-o a se estabelecer alhures na região[19], em países com maior potencial para recrutamento de novos insurgentes. Nesse sentido, o recente ataque em Nairóbi é emblemático, demonstrando a capacidade do grupo em atingir a maior cidade da “África do Leste” e a presença crescente no Shabab no Quênia. Entretanto, a exigência feita pelos radicais de que o governo queniano retire imediatamente suas tropas da Somália indicam que raízes expressivas em seu país de origem ainda estão longe de ser desfeitas.

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Notas:

* Em 11 de julho de 2010, ataques realizados pelo Shabab em Kampala, Uganda, teriam deixado dezenas de mortos e feridos.

** Pouco após a derrocada da ditadura, a região da Somalilândia, norte da Somália, declarou sua independência. Os confrontos que se seguiram deixaram milhares de mortos. Entretanto, enquanto a Somália como um todo enfrentou duas décadas de instabilidade e anarquia, a Somalilândia foi bem sucedida em estabelecer instituições políticas e econômicas próprias, mantendo-se estável e funcionando como um Estado dentro de um Estado, dada a ausência de reconhecimento internacional.

*** Essa imposição, determinando punições como a amputação de mãos pela realização de furtos, não fazia parte da sociedade somali anteriormente, rendendo a perda relativa de apoio do grupo. Outro fator de perda de apoio foi a manutenção da cobrança de impostos em áreas sob seu controle durante a crise de fome iniciada em 2010.

**** No ano de 2013, duas conferências internacionais foram realizadas pelo governo somali, com o apoio do “Reino Unido” e da “União Europeia”, para a arrecadação de recursos para a reconstrução da Somália.

***** No mês de maio de 2013, clãs rivais passaram a disputar o controle da região sul da Somália, economicamente importante e autoproclamada como semiautônoma. As autoridades federais somalis declararam a ação inconstitucional, e as tensões acabaram por levar a conflitos na área sob o controle da AMISOM. O ocorrido indica as dificuldades rumo à unidade nacional.

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Fonte imagem:

http://www.reuters.com/news/pictures/searchpopup?picId=11647317

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/alvo-eram-quenianos-infieis-diz-milicia-ligada-a-al-qaeda-5483.html  

[2] Ver:

http://www.project-syndicate.org/commentary/the-high-stakes-of-kenya-s-fight-against-al-shabaab-by-michael-meyer

[3] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=43329&Cr=Somali&Cr1=#.UkL3QtLIGAi

[4] Ver:

http://www.cfr.org/somalia/al-shabab/p18650?goback=%2Egde_160896_member_276043115#%21

[5] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/68315/bronwyn-bruton-and-j-peter-pham/how-to-end-the-stalemate-in-somalia

[6] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=43402&Cr=Somalia&Cr1=#.UkRCf9LIGAh

[7] Ver:

http://www.cfr.org/somalia/al-shabab/p18650?goback=%2Egde_160896_member_276043115#%21

[8] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/09/1346102-saiba-mais-al-shabaab-grupo-militante-que-reivindicou-ataque-no-quenia.shtml

[9] Ver:

http://www.cfr.org/somalia/al-shabab/p18650?goback=%2Egde_160896_member_276043115#%21

[10] Ver:

http://blogs.cfr.org/zenko/2011/10/27/somalia-kenyas-invasion-and-objectives/

[11] Ver:

http://www.rfi.fr/afrique/20120929-somalie-shebabs-retirent-kismayo-leur-dernier-bastion-kenya

[12] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=43311&Cr=somalia&Cr1=#.UkQ6d9LIGAj

[13] Ver:

http://www.rfi.fr/afrique/20130620-attentats-somalie-onu-mogadiscio-shebab

[14] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/07/22/is_the_us_ramping_up_a_secret_war_in_somalia_al_shabab?page=0,0

[15] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/137068/bronwyn-bruton-and-j-peter-pham/the-splintering-of-al-shabaab

[16] Ver:

http://www.rfi.fr/afrique/20130701-somalie-guerre-interne-sein-mouvement-shebab-ahmed-abdi-godane

[17] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/138751/alexander-meleagrou-hitchens/jihad-comes-to-kenya

[18] Ver:

http://www.hurriyetdailynews.com/Default.aspx?pageID=238&nid=24095

[19] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/137068/bronwyn-bruton-and-j-peter-pham/the-splintering-of-al-shabaab

Detroit: Um mercado emergente nos EUAAn Emerging Market in the U.S.

Por Rodrigo Dora. Advogado, Fundador da BRCS-PED e empresário em Detroit.

Detroit, com mais de US $ 18 bilhões em dívidas, está observando a participação de muitos escritórios de advocacia, bem como de consultores de vários setores, que clamam para representar os muitos credores da cidade, incluindo alguns conselheiros que não foram exatamente conhecidos por seu trabalho municipal na reestruturação de Detroit.

A cidade, que apresentou a maior falência municipal dos EUA no dia 18 de julho de 2013, devastou advogados caros do “Jones Day”, um dos maiores e mais respeitados escritórios de advocacia do mundo; consultores financeiros da “Ernst & Young” e consultores de reestruturação de “Conway Mackenzie”, conforme apresentam os documentos do tribunal.

Para os credores e partes relacionadas, há claramente muita coisa em jogo. Isso significa que os obrigacionistas, as seguradoras, os aposentados e outros têm a certeza de  que irão acompanhados ao tribunal por pelotões de advogados. Mas, e para quem não é advogado?! Isso é o que alguns empresários devem estar se perguntando, pois para estes é interessante entender como Detroit pode sair do nebuloso rótulo de a maior falência municipal da história norte-americana.

Empresários e líderes comunitários de cidade não esperaram um pedido de falência ou resolução judicial para determinar o seu destino. Antes, aproveitaram-se de antigos ditados, alguns centenários, como o que diz que há oportunidade de negócios quando a maré esta em baixa. Apesar de alguns esforços estarem apenas começando, esses empresários visam ajudar Detroit a se reinventar como uma cidade menos dependente de empregos na indústria do automóvel.

Muitas pessoas, ao ouvirem o anúncio da concordata, deram um alívio de suspiro, pois para elas foi o sinal de que deviam ir para frente, de que era hora de seguir e deixar o que passou. Há muito espaço ocioso naquela que foi a terceira maior cidade dos EUA. Mais da metade de seus moradores deixou suas casas, em um processo que perdurou pelos últimos 30 anos.

Nesse sentido, cabe ressaltar o trabalho de líderes comunitários que começaram a criar pequenos projetos de renovação urbana há vários anos. Como ponto de referência, Detroit é uma cidade de cerca de 140 quilômetros quadrados, com diversos bairros e necessidades, marcadas pelos dias das empresas gigantes, como a “General Motors”, que bombearam empregos em “Motor City”. Daí o trabalho contínuo e extremamente necessário de reurbanização e readequação da cidade, com o reaproveitamento de bairros fantasmas em parques, centros históricos, enfim…

Embora haja todo o sentimento de gratidão pelos trabalhos criados pelos “Big Three”, há a necessidade de que com esse declínio da indústria automobilística, Detroit ainda seja capaz de sustentar essas centenas de milhares de postos de trabalho na indústria transformadora ou que seja possível fomentar o retorno dessas pessoas que evadiram com a nova ascensão da cidade. Assim, Detroit pode e deve ser uma cidade de inovação. Há espaço para isso e muito amor pelo sentimento “Made in Detroit” ou, simplesmente no coração dos “Great Lakes” americanos, o “Pure Michigan”, marcas amplamente divulgadas e extremamente fortes.

Experiências do retorno.

Não faltam experiências bem sucedidas em Michigan e em Detroit após a crise de 2008. O fomento e o fortalecimento daquilo que é produzido na cidade dos motores ou no “Comeback State” é consumido por aqueles que lá vivem e promovido pelos demais estados americanos. Há também casos de missões empresariais “overseas”.

Parte dessas  experiências são influenciadas por necessidades geradas pelo próprio declínio de Detroit. Como o “Pickles de McClure” que se mudou para um antigo armazém de reciclagem de ferragens de carros. Assim, a ocupação de antigos armazéns e locais mais degradados é um desafio que empresários astutos têm abordado para o reaproveitamento, utilizando estruturas sub-utilizadas baratas. O “Pickles de McClure” mudou-se para Detroit porque o depósito foi tão barato, que a empresa ao invés de ampliar suas instalações de Brooklyn, NY, resolveu mudar  sua fábrica de picles para o armazém abandonado.

O fundador Joe McClure, um nativo de Michigan, escolheu o armazém para a sua estrutura não havendo necessidade de um novo telhado ou reformas no chão. E o preço de 250 mil dólares era muito mais barato do que o custo de uma nova planta. O edifício tem uma história também. Lá, as peças do carro eram feitas por pessoas cujos empregos foram movidos para o México.  As etiquetas do frasco para “Pickles de McClure”, disponíveis em lojas como “Whole Foods” e “Williams-Sonoma”, orgulhosamente declaram: “Brooklyn * Detroit”.

Outra experiência bem sucedida foi a da empresa Ponyride que tirou vantagem das estruturas defasadas e abandonas de Detroit.  Após a crise, a empresa comprou um armazém de Detroit por US$ 100.000.  Esse armazém constituiu um espaço de múltiplo uso, que abriga cerca de 40 pequenas empresas e projetos, alguns deles gerando empregos na comunidade. Os inquilinos são compostos por produtores de música, desenvolvedores de TI e designers de roupas.

Por fim, o grande empresário de Detroit, Dan Gilbert, fundador da “Quicken Loans”, mostrou-se favorável ao projeto de reurbanização da cidade e de demolição de estruturas abandonadas para mover a cidade para a frente. Gilbert, que está entre os maiores proprietários da cidade, estima que cerca de 120.000 imóveis comerciais e residenciais precisam ser removidos. Como presidente da “Quicken Loans”, ele mudou sua sede para a Motown em 2010 e com ele seus cerca de 200 funcionários.

Quer se trate de demolição ou reciclagem de estruturas, o ponto mais importante é agir, ao invés de esperar por um milagre de fabricação capaz de ressuscitar o “Rust Belt”. A batalha judicial sobre o futuro de Detroit, entretanto, continua.

Detroit, with over $ 18 billion in debt, is observing the participation of many law firms and consultants from various industries, who claim to represent many lenders in the city, including some councilors who were not exactly known for their municipal restructuring work in Detroit .
The city, which had the largest municipal bankruptcy in U.S. July 18, 2013, devastated expensive lawyers “Jones Day”  one of the largest and most respected law firms in the world); financial advisors like “Ernst & Young” and consultants restructuring like “Conway Mackenzie”, as court documents show.
For lenders and related parties , there is clearly a lot at stake. This means that the bondholders , insurers , retirees and others have to make sure that the court will be accompanied by platoons of lawyers. But, for anyone who is not a lawyer?! This is what some business owners should be asking, because it is interesting to understand how they can get out of Detroit nebulous label of the largest municipal bankruptcy in U.S. history .
Entrepreneurs and community leaders of the city did not wait for bankruptcy or judicial decision to determine his fate . Before , they took advantage of old sayings, some centenarians, as it says there is a business opportunity when the tide is low. Although some efforts are just beginning, and these entrepreneurs aim to help Detroit to reinvent itself as a city less dependent on jobs in the automobile industry .
Many people, when they hear the announcement of bankruptcy , took a sigh of relief, because for them it was a sign that they should go forward, it was time to move on and leave what happened. There is much empty space in what was the third largest U.S. city. More than half of its residents left their homes, in a process that lasted for 30 years.
In this sense, it is worth mentioning the work of community leaders who began to create small urban renewal projects for several years. As a reference point, Detroit is a city of about 140 square kilometers , with several neighborhoods and needs , days marked by corporate giants, such as “General Motors” , which pumped jobs in “Motor City”. Hence the ongoing and much-needed redevelopment and realignment of the city , with the reuse of neighborhoods ghosts in parks, historical centers, finally …
Although they are all still feeling of gratitude for the work created by the “Big Three” , there is a need that with the decline of the auto industry, Detroit is still able to sustain these hundreds of thousands of jobs in manufacturing or possible foster the return of these people who escaped with the rise of the new city. Thus, Detroit can and should be a city innovation. There is room for it and the love brought by the feeling “Made in Detroit” or simply the heart of the ” Great American Lakes”,  “Pure Michigan” brand is widely publicized and extremely strong.
Experiences.
Successful experiences abound in Michigan and Detroit after the 2008 crisis. The promotion and strengthening of what is produced in the town of engines or the ” Comeback State ” is consumed by those who live there and promoted by other states. There are also cases of corporate missions “overseas”.
Part of these experiences are influenced by the needs generated by the decline of Detroit. As the “McClure Pickles” who moved to an old warehouse that use to do recycling in rusty auto parts of cars. Thus, the occupation of old warehouses and most degraded sites is a challenge that shrewd businessmen have approached for reuse, using sub-structures used to be cheaper. The “McClure Pickles” moved to Detroit because the deposit was so cheap, that the company instead of expanding its facilities in Brooklyn, NY, decided to change his pickle factory for the abandoned warehouse .
The founder Joe McClure , a native of Michigan, chose the warehouse to its structure without the need of a new roof or reforms on the ground . And the price of $ 250,000 was much cheaper than the cost of a new plant. The building has a story too. There, the car parts were made ​​by people whose jobs were moved to Mexico. The jar labels for “Pickles McClure”, available at stores like “Whole Foods” and “Williams – Sonoma”, proudly declared: “Brooklyn Detroit” .
Another successful experiment was the company that took advantage of Ponyride outdated structures and forsaken Detroit. After the crisis, the company purchased a warehouse in Detroit for $ 100,000. This warehouse was a multi-purpose space , which englobes now about 40 small businesses and projects, some of them creating jobs in the community . Tenants are composed by music producers , IT developers and designers of clothing .
Finally, the great Detroit businessman Dan Gilbert , founder of “Quicken Loans” , was favorable to the project of city redevelopment and demolition of abandoned structures to move the city forward. Gilbert, who is among the largest owners of the city , estimates that about 120,000 commercial and residential properties need to be removed. As president of “Quicken Loans”, it moved its headquarters to Motown in 2010 and with it its approximately 200 employees. Now he has over 7,000.
Whether demolition or recycling structures, the most important point is to act, rather than waiting for a Manufacturing miracle able to resurrect the “Rust Belt”. The legal battle over the future of Detroit, however, continues.
 
 
 

Brasil está condenado ao crescimento medíocre?Brazil is doomed to mediocre growth?

Por Rodrigo Dora. Advogado, Fundador da BRCS-PED e empresário em Detroit.

O mundo recuperando-se vagarosamente da recessão desnuda as deficiências da economia brasileira, que impõe medidas de curto prazo, ao invés de promover reformas que possibilitem o desenvolvimento sustentado – efetivamente o Brasil não soube aproveitar o período favorável (RODRIGO DORA)

Ao saber que Warren Buffet, o mega investidor proferiu: “quando a maré baixa é que descobrimos quem estava nadando nu[1], foi possível refletir: “Mr. Buffet certamente esta falando do Brasil. Isso porque, até meados de 2010, vivíamos no Brasil com a impressão de que o país aproveitava-se  mesmo com suas deficiências – de crescimento global, na verdade o maior crescimento em décadas. Restou-nos, no entanto, sentir o peso da realidade: bastou que o mundo entrasse em recessão e a economia brasileira mostrou uma faceta que o otimismo exagerado não permitia perscrutar.

Após dois anos, vemos agora com transparência que, tal qual Mr. Buffet referiu, não fomos capazes de aproveitar o momento favorável para exercer transformações estruturais que vinguem no longo prazo. O Brasil ficou preso ao imediatismo e pior, continuou com uma posição mediana, se forem levadas em consideração as ações que poderíamos e deveríamos ter executado. Logo, o bom momento está passando, e o país do futuro, consolida-se como o país “que perdeu oportunidades” e os discursos que em momentos tinham substância como: “nunca antes na história desse país”  passou a ecoar diante de uma nova conjuntura mais para o lado do  “nunca mais serão”, frase imortalizada pela personagem do Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite, guardadas as especificidades do contexto do discurso do Capitão Nascimento.

O resultado desse quadro é refletido diariamente nas estimativas do mercado e do próprio governo, apesar deste último insistir em expectativas que não são mais compartilhadas pelo grosso dos analistas, adotando um discurso esperado, mas talvez irreal de uma mini crise, bem como de que no ano que vem (2014) avançaremos 4% no crescimento de nosso PIB. E, quem sabe, neste ano consigamos estacionar nos 2% (isso já seria uma vitória diante do atual cenário).

As reformas necessárias para superar os velhos entraves ao desenvolvimento sustentado não aconteceram. Transportes, infraestrutura, tributação, mão de obra e elevada carga trabalhista, burocracia, inflação, política fiscal inadequada e manobras contábeis contribuíram ainda mais para que observássemos o quão erradas foram as ações tomadas pelo nosso governo nos últimos tempos.

Assim, para enfrentar adversidades, preferimos medidas ad hoc que se voltaram para o aumento do consumo e endividamento das famílias, que sem qualquer educação financeira, acabaram por endividar-se ainda mais. Agora, com o aumento dos juros, há a tentativa de se puxar o freio da inflação, mas, no entanto, há também uma valorização do dólar e a defasagem no preço dos combustíveis por parte da Petrobrás. Em síntese, o estrago já foi feito.

Cabe agora, observando a recuperação norte-americana, um panorama mais favorável na China e o cenário esperançoso na Europa, realocar energias nas reformas necessárias, privatizações (ou concessões) e reduções de custos, que garantam maior produtividade de nossas empresas e competitividade para adquirir respeitabilidade no longo prazo. Trata-se de fazer o dever de casa, que deve ser feito sem a justificativa de que a indústria nacional se beneficia com a alta do dólar, mesmo porque tal fator é vivenciado por quase todas as economias do mundo, que observam sua moeda desvalorizar em relação ao dólar norte-americana. O que difere é o impacto, o qual mais uma vez, no caso do Brasil, reflete a fragilidade do caminho que percorremos. Parece cada vez claro ser necessário encerrar com os gastos excessivos da máquina pública, que conta hoje com 39 ministérios, um número questionado pela quase totalidade dos analistas e especialistas. Há também que ser revista a política de investimentos em infraestrutura, bem como a desoneração do setor, pois todos estão se manifestando no sentido de dizer que chega de arrecadar tanto para não ter retorno.

Por fim, nos últimos anos, verificou-se o acentuado processo de desindustrialização, onde a participação de produtos básicos passou de 27% para mais de 48% na nossa pauta de vendas ao mercado internacional, volume que caiu de 55% para menos de 35% no setor industrial. Assim, refletindo esse péssimo ambiente, o setor industrial, que sempre é demandante de mais alta tecnologia e, onde o conteúdo importado é crescente, está na realidade vivendo uma estagnação de 30 anos. Nesse sentido, a situação brasileira, ao invés dos discursos de prosperidade e acertos, parece mais estar apresentado como realidade que a situação está péssima.

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

Sander, Peter. Madoff: a História Da Maior Fraude Financeira de Sempre. Pag 28. Portugal 2009. Editora Centro Atlantico.

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Pesquisados: CNT, IBGE e “Banco Mundial”.

The world is slowly recovering from the recession and bare the deficiencies of the Brazilian economy , which imposes short-term measures , instead of promoting reforms that enable sustainable development – definitely Brazi did not effectively took advantage of the favorable period  ( RODRIGO DORA )
 
Upon learning that Warren Buffet , the mega investor  uttered: ” when the tide is low you discover who ‘s been swimming naked ” [ 2 ] , it was possible to reflect : ” Mr. Buffet is surely speaking – this is Brazil . ” That’s because , until mid-2010 , we lived in Brazil with the impression that the country took advantage of even with its shortcomings – global growth , indeed the highest growth in decades . Now it is left to us , however , the feel of the weight of reality : it was enough that the world went into recession and the Brazilian economy showed a facet that overoptimism not allow peer .
After two years , we now see with transparency , like Mr. Buffet said , we were not able to seize the favorable moment to exercise structural transformations that take revenge in the long run . The Brazil stuck the immediacy and worse , continued with a median position , if taken into account the actions that we could and should have run . So the good time is passing , and the country ‘s future, consolidates itself as the country ” of missing opportunities ” and the speeches that at times had substance as : “Never before in the history of this country ” went echoing facing a new situation over to the side of ” it will never be ” a phrase immortalized by the character Captain Nascimento of the film Tropa de Elite , saved the specific context of the speech of Captain Nascimento.
The result of this situation is reflected in the daily estimates of the market and the government itself , though the latter insisting on expectations that are no longer shared by the bulk of analysts , adopting a speech expected, but perhaps unrealistic of a mini crisis , as well as that in the next year ( 2014 ) we will advance 4 % in growth of our GDP . And who knows , this year we will be able to park in 2 % ( this would be a victory given the current scenario ) .
The reforms needed to overcome old barriers to sustainable development did not happen . Transport , infrastructure , taxation , labor and high labor load bureaucracy , inflation, fiscal policy and inadequate accounting maneuvers contributed even more to us to observe how wrong were the actions taken by our government in recent times .
Thus , to face adversity , Brazilian authorities preferred “ad hoc” measures who have turned to increased consumption and household debt , which no financial education , eventually further into debt . Now, with rising interest rates , there is the attempt to pull the brake in inflation , but nevertheless , there is also an appreciation of the dollar and the lag in fuel prices by Petrobras . In summary , the damage has already been done .
It is now , watching the U.S. recovery and a more favorable outlook in China and a hopeful scenario in Europe , to relocate in energies necessary to reforms , privatization (or concessions ) and cost reductions , which ensure higher productivity and competitiveness of our companies to acquire respectability in the long term. we should be doing the homework that should be done without the justification that the domestic industry benefits from the high dollar , if only because of this factor that is experienced by almost all economies of the world , they see its currency depreciate against the U.S. dollar . What differs is the impact , which again, in the case of Brazil , reflects the fragility of the road we have traveled . It seems increasingly clear need to quit with the overspending of the government machinery , which now has 39 ministries , a number questioned by almost all analysts and experts . There is also to be revised policy investments in infrastructure as well as the exemption of the sector, as all are manifesting in the sense of saying that enough of both to raise not return.
Finally , in recent years , there has been a marked de-industrialization process , where the share of primary products increased from 27 % to over 48 % in our export basket to the international market , volume fell from 55 % to less than 35 % in the industrial sector . Thus , reflecting this terrible environment , the industrial sector , which is always the claimant highest technology and where the imported content is increasing , is actually living a stagnant 30 years . In this sense , the Brazilian situation , rather than the speeches of prosperity and success , it seems more to be presented as that in fact the situation is bad .
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Sources consulted :
 
[1] See :
 
Sander , Peter . Madoff : The History Of Biggest Fraud Ever . Pag 28 . Portugal 2009. Publisher Centro Atlantico .
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Searches : CNT , IBGE and ” World Bank ” .