• O polêmico Oleoduto de “Keystone XL”

    A construção do polêmico oleoduto de “Keystone XL”, da companhia energética norte-americana “TransCanada Corporation”, sediada em Calgary (Alberta-Canadá), vem suscitando debates e pressões de diversos grupos, nomeadamente ambientalistas e de proteção aos direitos humanos, assim como, divergências entre o “Departamento de Estado dos Estados Unidos” e o governo canadense do primeiro-ministro Stephen Harper. A proposta completa para o oleoduto é que ele tenha 91,44 centímetros de diâmetro e percorra uma distância de 1.897 quilômetros, iniciando na cidade de Hardisty, província canadense de Alberta, até atingir as refinarias do Golfo do Texas nas cidades de Houston e “Port Arthur”.

    De acordo com a TransCanada, o “Keystone Pipeline”, além de transportar petróleo bruto do Canadá, (Keystone) também irá apoiar o crescimento significativo da produção de petróleo nos Estados Unidos, permitindo a seus produtores de petróleo maior acesso aos grandes mercados de refinaria encontrados no meio-oeste e ao longo da costa do Golfo estadunidense[1].

    A “Canadian Energy Pipeline Association (CEPA), garante que investimentos e construção de oleodutos impulsionam a criação de novos empregos aumentando, assim, a prosperidade econômica na medida em que são mais rentáveis, mais seguros e requerem um gasto menor de energia para serem operacionalizados, tendo assim um “carbon footprint”*[2] muito menor comparado à utilização de meios rodoviários e ferroviários no transporte em larga escala de gás natural e outras matérias primas energéticas[3].

    Segundo a CEPA, cerca de nove mil pessoas no Canadá estão trabalhando diretamente em companhias-membro dessa associação. A CEPA afirma também que o “Keystone XL”, juntamente com outros projetos (“Northern Gateway Project”, “Trans Mountain’s Pipeline Expansion Project”), geraria uma renda suficiente para financiar 58 mil hipotecas canadenses[4].

    O “Keystone XL” é uma extensão do projeto “Keystone Pipeline”, operante desde 2010, que percorre a distância de Hardisty até “Steele City”, no estado norte-americano do Nebraska [5]. No entanto, o “Keystone XL” depende da aprovação do “Departamento de Estado dos Estados Unidos” para ser construído, explica o comentarista Ian Austen, do “New York Times”.

    Em discurso proferido em 25 de junho, na “Georgetown University” (Washington), o “Presidente dos Estados Unidos”, Barack Obama, manifestou que a possível construção do oleoduto iria depender se esse apresentasse vantagens favoráveis ao interesse nacional. Obama disse ainda “Our national interest would be served only if this project does not significantly exacerbate the problem of carbon pollution[6].

    Em um evento organizado pelo bilionário e “ativista ambiental”, Tom Seyer, em 20 de junho, uma carta foi revelada ao presidente Obama, na qual 145 membros, que haviam trabalhado em sua campanha eleitoral, insistiram que o presidente rejeitasse o projeto de “Keystone XL”. Seyer, um “capitalista de risco” que investe em fontes de energia limpas e renováveis, apoiou a campanha do presidente Obama em 2008 e, no início de 2013, o Presidente compareceu a um evento para arrecadação de fundos na casa de Seyer, no estado da Califórnia.

    Amy Harder redatora do “National Journal” explica que a maioria dos ex-funcionários que assinaram a carta são jovens e organizadores da campanha eleitoral de estados como Virginia, Ohio, Colorado e Iowa, o que representa uma pequena parcela do todo que envolveu a campanha presidencial (milhares de funcionários em dez estados). Os ex-funcionários salientam na carta que jovens do país inteiro votaram no presidente Obama devido ao seu sério comprometimento com ações sobre mudanças climáticas, na qual inclui a rejeição de “Keystone XL[7].

    Afirmam: “(…) we write to ask you to reject the Keystone XL pipeline. We trust you to make the right decision after you weigh all arguments, but one thing you taught us as organizers is that nothing can stand in the way of millions of voices calling for change. Mr. President, we are just a few of the millions of young people across the country who are frightened at the prospect of runaway climate change. One of the reasons we came to work for you in the first place is because we trust you understand how big this challenge is[8].

    Ambientalistas tanto no Canadá quanto nos Estados Unidos apóiam a carta emitida pela “Environmental Protection Agency” (EPA) ao “Departamento de Estado” norte-americano quanto a conclusões e garantias questionáveis de que o oleoduto de “Keystone XL” é ecologicamente seguro[9]. Declaram que a “EPA appreciates TransCanada’s commitment to conduct cleanup and restoration and to provide alternative water supplies to affected communities in the event of an oil discharge affecting not only surface waters, but also groundwater. We recommend that these commitments be clearly documented as proposed permit conditions. We believe this would give important assurances to potentially affected communities of TransCanada’s responsibilities in the event of an oil discharge that affects either surface or groundwater resources[10].

    A “Organização Não-Governamental” (ONG) de ativismo ambiental e social, “Friends of the Earth” (FOE) exprime também sua preocupação quanto ao impacto que a “Keystone XL” poderá ter, caso seja efetivada, em populações indígenas da região de Alberta. Segundo a organização, o modo de vida e tradição dessas populações nativas está se deteriorando por conta das operações de extração de petróleo das areias betuminosas e esses indígenas estão sendo forçados a deixarem suas terras ou, para aqueles que vivem próximos às bacias de decantação, estão sendo vítimas de doenças letais[11].

    Em entrevista realizada pelo “New York Times”, em 27 de julho, o presidente Obama revelou seu ceticismo quanto à significativa criação de empregos que a “Keystone XL” proporcionaria, argumento defendido intensamente pelo “Primeiro Ministro” canadense Stephen Harper e por Republicanos no “Congresso” estadunidense. Obama aponta que “the most realistic estimates are this (“Keystone XL”) might create maybe 2,000 jobs during the construction of the pipeline — which might take a year or two — and then after that we’re talking about somewhere between 50 and 100 [chuckles] jobs in a economy of 150 million working people[12].  

    O Presidente observa ainda: “So what we also know is, is that that oil is going to be piped down to the Gulf to be sold on the world oil markets, so it does not bring down gas prices here in the United States. In fact, it might actually cause some gas prices in the Midwest to go up where currently they can’t ship some of that oil to world markets[12].

    Tim Harper, redator do “Toronto Star” afirma que o debate, praticamente estagnado quanto ao projeto “Keystone XL”, se tornou politizado de uma forma tão marcante que indagações quanto ao impacto negativo que a rejeição do presidente Obama teria nas relações Canadá-Estados Unidos já foram suplantadas por questões relativas à proporção do dano já causado na relação entre os dois países durante o moroso processo de decisão. Tim Harper observa ainda que “Regardless of the merit of that comment (…) it is extremely rare for the leader of one country to publicly call out an ally and neighbor on its domestic policy, whether or not it has cross-border implications[13].

    Em resposta ao comentário de Obama quanto à criação de empregos pelo projeto “Keystone XL”, Stephen Harper afirmou que a perspectiva do governo canadense é muito clara e ele acredita também que Washington a conhece muito bem. “First of all, our number one priority in Canada is the creation of jobs — and clearly this is a project that will create jobs on both sides of the border, and it is in our judgment an important project, not just for the economy, for job creation, but for the long-term energy security of North America[13], disse o “Primeiro Ministro”.

    Enquanto “Keystone XL” se encontra em um “limbo” de rejeições e controvérsias, o “Primeiro Ministro” canadense sancionou o projeto anunciado pela “TransCanada Corp”, em 1o de agosto desse ano (2013), para a construção de um novo oleoduto, o “Energy East pipeline”, que levará petróleo bruto do oeste canadense até refinarias no extremo leste do país, chegando a alcançar a cidade de St. John na província de “New Brunswick”.

    Estima-se que o oleoduto de 12 bilhões de dólares da TransCanada transportará 1,1 milhão de barris de petróleo por dia até a província do Quebec, ao final de 2017, e até “New Brunswick”, em 2018. O “Primeiro Ministro” Harper afirma que o projeto estará submetido a análises e monitoramentos rigorosos para que tragédias como a de Lac-Mégantic, Quebec, em julho desse ano, na qual vagões transportando petróleo explodiram deixando pelo menos 47 mortos, não voltem a acontecer, o que reitera o argumento de Stephen Harper, assim como da CEPA, mencionado anteriormente, de que oleodutos são a forma mais segura no transporte de produtos energéticos.

    Em linguagem evidentemente político-econômica o Primeiro-Ministro se dirigiu a imprensa do Quebec sustentando a importância do Canadá em vender seus produtos energéticos e a importância em encontrar soluções “pan-canadenses” de modo que o país inteiro possa se beneficiar desses produtos simultaneamente melhorando a segurança energética do Canadá[14][15].

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    * The total amount of greenhouse gases produced to directly and indirectly support human activities, usually expressed in equivalent tons of carbon dioxide (CO2).

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    Imagem:

    http://www.cbc.ca/news/canada/story/2011/09/16/f-keystone-xl-pipeline.html

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    Fontes Consultadas:

    [1] Ver:

    http://www.transcanada.com/keystone.html

    [2] Ver:

    http://timeforchange.org/what-is-a-carbon-footprint-definition

    [3] Ver:

    http://www.cepa.com/pipelines-jobs-for-canadians

    [4] Ver:

    http://www.cepa.com/pipelines-jobs-for-canadians

    [5] Ver:

    http://insideclimatenews.org/news/20120426/keystone-xl-nebraska-sandhills-ogallala%20aquifer-heineman-transcanada

    [6] Ver:

    http://www.nytimes.com/2013/06/27/business/energy-environment/in-canada-pipeline-remarks-stir-analysis.html?_r=1&

    [7] Ver:

    http://www.nationaljournal.com/energy/obama-campaign-aides-to-obama-reject-keystone-xl-pipeline-20130620?mrefid=site_search

    [8] Ver:

    https://www.wearepowershift.org/sites/wearepowershift.org/files/OFA%20Staff%20Letter%20to%20President%20Obama%20on%20Keystone%20XL.pdf

    [9] Ver:

    http://www.nytimes.com/2013/06/27/business/energy-environment/in-canada-pipeline-remarks-stir-analysis.html?_r=1&

    [10] Ver:

    http://www.epa.gov/compliance/nepa/keystone-xl-project-epa-comment-letter-20130056.pdf

    [11] Ver:

    http://www.foe.org/projects/climate-and-energy/tar-sands/keystone-xl-pipeline

    [12] Ver:

    http://www.nytimes.com/2013/07/28/us/politics/interview-with-president-obama.html?pagewanted=all&_r=0

    [13] Ver:

    http://www.thestar.com/news/canada/2013/08/01/new_pipeline_plan_cant_obscure_keystone_xl_failure_tim_harper.html

    [14] Ver:

    http://www.thestar.com/news/canada/2013/08/02/stephen_harper_endorses_energy_east_pipeline_proposal.html

    [15] Ver:

    http://www.thestar.com/business/2013/08/01/transcanada_to_go_ahead_with_new_pipeline_from_western_to_eastern_canada.html

    Ver também:

    http://www.washingtonpost.com/blogs/the-fix/wp/2013/04/03/the-keystone-xl-pipeline-and-its-politics-explained/

     

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