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    • Rodrigo Dora

      Negócios Internacionais
    • 27 de setembro de 2013 in Convidados

    Brasil está condenado ao crescimento medíocre?Brazil is doomed to mediocre growth?

    Por Rodrigo Dora. Advogado, Fundador da BRCS-PED e empresário em Detroit.

    O mundo recuperando-se vagarosamente da recessão desnuda as deficiências da economia brasileira, que impõe medidas de curto prazo, ao invés de promover reformas que possibilitem o desenvolvimento sustentado – efetivamente o Brasil não soube aproveitar o período favorável (RODRIGO DORA)

    Ao saber que Warren Buffet, o mega investidor proferiu: “quando a maré baixa é que descobrimos quem estava nadando nu[1], foi possível refletir: “Mr. Buffet certamente esta falando do Brasil. Isso porque, até meados de 2010, vivíamos no Brasil com a impressão de que o país aproveitava-se  mesmo com suas deficiências – de crescimento global, na verdade o maior crescimento em décadas. Restou-nos, no entanto, sentir o peso da realidade: bastou que o mundo entrasse em recessão e a economia brasileira mostrou uma faceta que o otimismo exagerado não permitia perscrutar.

    Após dois anos, vemos agora com transparência que, tal qual Mr. Buffet referiu, não fomos capazes de aproveitar o momento favorável para exercer transformações estruturais que vinguem no longo prazo. O Brasil ficou preso ao imediatismo e pior, continuou com uma posição mediana, se forem levadas em consideração as ações que poderíamos e deveríamos ter executado. Logo, o bom momento está passando, e o país do futuro, consolida-se como o país “que perdeu oportunidades” e os discursos que em momentos tinham substância como: “nunca antes na história desse país”  passou a ecoar diante de uma nova conjuntura mais para o lado do  “nunca mais serão”, frase imortalizada pela personagem do Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite, guardadas as especificidades do contexto do discurso do Capitão Nascimento.

    O resultado desse quadro é refletido diariamente nas estimativas do mercado e do próprio governo, apesar deste último insistir em expectativas que não são mais compartilhadas pelo grosso dos analistas, adotando um discurso esperado, mas talvez irreal de uma mini crise, bem como de que no ano que vem (2014) avançaremos 4% no crescimento de nosso PIB. E, quem sabe, neste ano consigamos estacionar nos 2% (isso já seria uma vitória diante do atual cenário).

    As reformas necessárias para superar os velhos entraves ao desenvolvimento sustentado não aconteceram. Transportes, infraestrutura, tributação, mão de obra e elevada carga trabalhista, burocracia, inflação, política fiscal inadequada e manobras contábeis contribuíram ainda mais para que observássemos o quão erradas foram as ações tomadas pelo nosso governo nos últimos tempos.

    Assim, para enfrentar adversidades, preferimos medidas ad hoc que se voltaram para o aumento do consumo e endividamento das famílias, que sem qualquer educação financeira, acabaram por endividar-se ainda mais. Agora, com o aumento dos juros, há a tentativa de se puxar o freio da inflação, mas, no entanto, há também uma valorização do dólar e a defasagem no preço dos combustíveis por parte da Petrobrás. Em síntese, o estrago já foi feito.

    Cabe agora, observando a recuperação norte-americana, um panorama mais favorável na China e o cenário esperançoso na Europa, realocar energias nas reformas necessárias, privatizações (ou concessões) e reduções de custos, que garantam maior produtividade de nossas empresas e competitividade para adquirir respeitabilidade no longo prazo. Trata-se de fazer o dever de casa, que deve ser feito sem a justificativa de que a indústria nacional se beneficia com a alta do dólar, mesmo porque tal fator é vivenciado por quase todas as economias do mundo, que observam sua moeda desvalorizar em relação ao dólar norte-americana. O que difere é o impacto, o qual mais uma vez, no caso do Brasil, reflete a fragilidade do caminho que percorremos. Parece cada vez claro ser necessário encerrar com os gastos excessivos da máquina pública, que conta hoje com 39 ministérios, um número questionado pela quase totalidade dos analistas e especialistas. Há também que ser revista a política de investimentos em infraestrutura, bem como a desoneração do setor, pois todos estão se manifestando no sentido de dizer que chega de arrecadar tanto para não ter retorno.

    Por fim, nos últimos anos, verificou-se o acentuado processo de desindustrialização, onde a participação de produtos básicos passou de 27% para mais de 48% na nossa pauta de vendas ao mercado internacional, volume que caiu de 55% para menos de 35% no setor industrial. Assim, refletindo esse péssimo ambiente, o setor industrial, que sempre é demandante de mais alta tecnologia e, onde o conteúdo importado é crescente, está na realidade vivendo uma estagnação de 30 anos. Nesse sentido, a situação brasileira, ao invés dos discursos de prosperidade e acertos, parece mais estar apresentado como realidade que a situação está péssima.

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    Fontes consultadas:

    [1] Ver:

    Sander, Peter. Madoff: a História Da Maior Fraude Financeira de Sempre. Pag 28. Portugal 2009. Editora Centro Atlantico.

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    Pesquisados: CNT, IBGE e “Banco Mundial”.

    The world is slowly recovering from the recession and bare the deficiencies of the Brazilian economy , which imposes short-term measures , instead of promoting reforms that enable sustainable development – definitely Brazi did not effectively took advantage of the favorable period  ( RODRIGO DORA )
     
    Upon learning that Warren Buffet , the mega investor  uttered: ” when the tide is low you discover who ‘s been swimming naked ” [ 2 ] , it was possible to reflect : ” Mr. Buffet is surely speaking – this is Brazil . ” That’s because , until mid-2010 , we lived in Brazil with the impression that the country took advantage of even with its shortcomings – global growth , indeed the highest growth in decades . Now it is left to us , however , the feel of the weight of reality : it was enough that the world went into recession and the Brazilian economy showed a facet that overoptimism not allow peer .
    After two years , we now see with transparency , like Mr. Buffet said , we were not able to seize the favorable moment to exercise structural transformations that take revenge in the long run . The Brazil stuck the immediacy and worse , continued with a median position , if taken into account the actions that we could and should have run . So the good time is passing , and the country ‘s future, consolidates itself as the country ” of missing opportunities ” and the speeches that at times had substance as : “Never before in the history of this country ” went echoing facing a new situation over to the side of ” it will never be ” a phrase immortalized by the character Captain Nascimento of the film Tropa de Elite , saved the specific context of the speech of Captain Nascimento.
    The result of this situation is reflected in the daily estimates of the market and the government itself , though the latter insisting on expectations that are no longer shared by the bulk of analysts , adopting a speech expected, but perhaps unrealistic of a mini crisis , as well as that in the next year ( 2014 ) we will advance 4 % in growth of our GDP . And who knows , this year we will be able to park in 2 % ( this would be a victory given the current scenario ) .
    The reforms needed to overcome old barriers to sustainable development did not happen . Transport , infrastructure , taxation , labor and high labor load bureaucracy , inflation, fiscal policy and inadequate accounting maneuvers contributed even more to us to observe how wrong were the actions taken by our government in recent times .
    Thus , to face adversity , Brazilian authorities preferred “ad hoc” measures who have turned to increased consumption and household debt , which no financial education , eventually further into debt . Now, with rising interest rates , there is the attempt to pull the brake in inflation , but nevertheless , there is also an appreciation of the dollar and the lag in fuel prices by Petrobras . In summary , the damage has already been done .
    It is now , watching the U.S. recovery and a more favorable outlook in China and a hopeful scenario in Europe , to relocate in energies necessary to reforms , privatization (or concessions ) and cost reductions , which ensure higher productivity and competitiveness of our companies to acquire respectability in the long term. we should be doing the homework that should be done without the justification that the domestic industry benefits from the high dollar , if only because of this factor that is experienced by almost all economies of the world , they see its currency depreciate against the U.S. dollar . What differs is the impact , which again, in the case of Brazil , reflects the fragility of the road we have traveled . It seems increasingly clear need to quit with the overspending of the government machinery , which now has 39 ministries , a number questioned by almost all analysts and experts . There is also to be revised policy investments in infrastructure as well as the exemption of the sector, as all are manifesting in the sense of saying that enough of both to raise not return.
    Finally , in recent years , there has been a marked de-industrialization process , where the share of primary products increased from 27 % to over 48 % in our export basket to the international market , volume fell from 55 % to less than 35 % in the industrial sector . Thus , reflecting this terrible environment , the industrial sector , which is always the claimant highest technology and where the imported content is increasing , is actually living a stagnant 30 years . In this sense , the Brazilian situation , rather than the speeches of prosperity and success , it seems more to be presented as that in fact the situation is bad .
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    Sources consulted :
     
    [1] See :
     
    Sander , Peter . Madoff : The History Of Biggest Fraud Ever . Pag 28 . Portugal 2009. Publisher Centro Atlantico .
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    Searches : CNT , IBGE and ” World Bank ” .