Em 2009, de 1º de julho a 31 de dezembro, a Suécia sucedeu à República Tcheca na Presidência Rotativa da Comunidade Européia. A escolha dos suecos foi por mérito. O evento foi realizado no Parque Skansen, uma espécie de quintal da casa de todo sueco, principalmente dos que vivem em Estocolmo. Foi uma cerimônia de verão e, apesar da informalidade comum nesta estação do ano, ela não perdeu a solenidade que o ato merecia. Na presença do Rei Gustavo Adolfo e da Rainha Silvia Bernadotte, o Primeiro Ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, disse do valor que o país agrega ao ser guindado a tal posição no mosaico europeu de nações. O ato contou com a presença de Margot Wahlström, a representante sueca em Bruxelas, sede da União Européia.
Esperou-se da Suécia que usasse seu prestígio, sua liderança e desse ao mundo um exemplo de tratamento adequado em relação à questão do meio-ambiente, devido ao fato de este ser o tema predileto de cada cidadão do país.
Da mesma forma, esperou-se que enfrentasse os inúmeros desafios que atingiram a Europa, graças à crise mundial iniciada no ano anterior. Um exemplo de problema premente era, na época e ainda é, o combate ao desemprego, que aumentou ao longo dos últimos doze meses, tomando-se como base o momento em que os suecos assumiram a presidência.
Esperou-se, ainda, que outros desafios de caráter mundial, como é o caso do aquecimento global, também fossem tratados com afinco e as respostas fossem ofertadas pelo conjunto dos membros da UE, tanto que, na agenda, estava previsto que, em dezembro, fosse enviado às Nações Unidas um novo Tratado, firmado pelos 27 países da União Européia, sobre o tema.
Essas questões, porém, foram tratadas de forma menos intensa, devido à expectativa de que tais temas fossem observados adequadamente na COP-15 e, principalmente, devido aos debates políticos necessários à aprovação do Tratado de Lisboa.
Uma campeã da ecologia dentro de sua própria casa, a Suécia tem reconhecimento significativo e status suficiente para apresentar um modelo de preservação do meio ambiente, espelhados na sua vencedora rotina pela boa manutenção da Natureza.
Sabendo-se que o “Protocolo de Quioto” expira em 2012, os líderes do país acreditaram que em dezembro, na Conferência de Copenhagen, capital da Dinamarca, Fredrik Reinfeldt tivesse sucesso na apresentação da fórmula sueca de fazer as leis ambientais terem o respeito que merecem e acreditava-se que isso poderia ser visto com seriedade, em qualquer lugar do mundo.
Após a caótica presidência rotativa da UE pela República Tcheca, Reinfeldt tentou trabalhar para convencer os 27 países a observar as propostas em torno da manutenção e do respeito às leis ambientais, mas isso teve de ficar para o segundo plano, pois os problemas gerados pela ação da liderança tcheca, que por ser “eurocética”, não investiu adequadamente na costura necessária, para garantir mais passos para concluir a consolidação do Bloco.
Isso mostrou aos suecos que suas pretensões não poderiam ir além de negociar adequadamente a aprovação do “Tratado de Lisboa”, como aconteceu, pois este problema político se mostrou imediato, já que as suas conseqüências definiriam o futuro do Bloco, sua configuração e a maneira como os europeus se posicionarão perante o mundo.
Ou seja, as pretensões imediatas foram colocadas em segundo plano por ter emergido a percepção de que a questão política, uma vez resolvida, permitirá que pretensões e experiências, como as da Suécia, possam ser tratadas de forma correta e ganhar força para ter a projeção significativa no cenário global.
A questão era mais difícil do que aparentava porque havia apenas um semestre para conseguir negociar adequadamente a aprovação do Tratado, pela Irlanda. Sabia-se da dificuldade do problema, pois, em junho de 2008, um plebiscito mostrou que 53,4% da população irlandesa rejeitavam o Tratado, tendo como fator favorável, apenas, o fato de o governo do país não ter conseguido apresentar outro projeto.
A tenacidade sueca, no entanto, convenceu a tenacidade irlandesa e outras tenacidades que foram aparecendo. Para persuadir os opositores do Tratado, a estratégia adotada configurou-se na demonstração das vantagens de uma nova organização institucional, com uma presidência não-rotativa e não-semestral para a Europa.
O objetivo foi convencer os eurocéticos de que os cargos permanentes e estáveis na Presidência da UE e na representação externa permitirão aos europeus ter as lideranças necessárias para enfrentarem sua pesada agenda e dar, ao conjunto dos países membros, a força coletiva capaz de fazer frente nos diálogos internacionais.
Para Fredrik Reinfeldt as alterações climáticas exigem uma resposta em nível mundial e para combater o desemprego no continente a Suécia contava com o lançamento de uma estratégia de crescimento e de emprego, adotada coletivamente para a próxima década.
No exercício do cargo ele percebeu que esses projetos serão possíveis apenas se os europeus puderem atuar de forma adequada, algo não executável no momento, devido às questões político-intitucionais, que naquele momento precisavam ser resolvidas, daí ter dado preferência, em seu exercício, à questão da aprovação do Tratado de Lisboa.